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segunda-feira, maio 03, 2010

Estórias de Ary dos Santos

Um estimado leitor deste bolgue tem gasto algum tempo a zurzir-me com o "seu" Ary dos Santos, único e verdadeiro Poeta de que gosta (por militantismo político ao que me apercebo.

Sei da elevada estima e cumplicidade entre Ary e Rodrigo Emílio no campo literário. Sou até testemunha disso.

Mas como o meu estimado leitor é um fã acrisolado do lado sério do Poeta, quero contar-lhe uma história que a mim me divertiu e que se calhar a si o vai decepcionar.

Numa festa do Avante (penso que em 1982 ou 83) quando Cunhal falava aos seus acólitos que o escutavam em reverência quase religiosa, Ary por trás do palco falava - com a sua voz "de trovão" com os artistas que se seguiriam em palco após a discursata do chefe. O barulho era tanto que a certa altura surgiu um membro do comité central com cara de controleiro despiedado que mandou calar toda aquela turba de hereges.

Aí Ary voltou-se para os seus parceiros (todos masculinos) e disse: "calem-se meninas e deixem falar a tia avó!)

Gargalhada geral e mais uma vez se sentiu o gélido e reprovador olhar do controleiro de serviço.

Só para lhe dizer que o Ary - para além de comunista (por algumas razões que um dia eu conto) também era um tipo bem divertido.

sexta-feira, maio 01, 2009

Coitado do Zé Maria ...

Rezava a cançoneta de cariz pimba que todos nós já ouvimos.

Pois hoje o "Avô Cantigas" foi o personagem Zé Maria na manif do 1º Maio organizada pelo PC.

Levou para tabaco e teve de dar às de vila diogo.

Pois é os do PC são como nós. Sentem-se mal com os rachados e com os que se passam para o outro lado.

Ainda bem que há Homens assim! Mesmo que sejam do PC.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Copianços ...


"O casamento é a fonte de toda a vida, um estado de graça e a condição primeira de toda a eternidade, porque não há outra eternidade senão a biológica"
Saint-Loup. (Marc Augier) Nouveaux Cathares pour Montségur.

Apostilha: em lembrança das afirmações da nova secretária do PSD Manuela Ferreira Leite. Fartou-se de levar na tromba por parte de toda a esquerda jornalística e política. É bem feita para não andar por partidos e locais tão mal frequentados

terça-feira, abril 22, 2008

Na morte de um verdadeiro adversário

Morreu Francisco Manuel Martins Rodrigues. Ex membro do Comité Central do Partido Comunista Português, (Campos) do qual foi expulso (Cunhal nunca lhe perdoou). Junto com o D'Espiney e o Pulido Valente fizeram a Frente de Acção Popular, que se distinguiu por ter iniciado a luta armada contra o anterior Regime.

Pós 25 do 4 foi um dos principais membros da chamada extrema esquerda. Foi igual a si próprio em toda a sua acção política.

Foi um adversário que nunca enganou. Se tivesse conseguido ter-nos-ia morto a todos. Era contudo um espírito que nunca vacilava. A sua Política Operária, (pós - 25 de Novembro) revista que sempre li com prazer, foi um marco na extrema esquerda portuguesa.

A sua análise do 25 do 4 foi sempre, quanto a mim, a mais bem fundamentada da esquerda portuguesa.

Quem desejar lê-la nada melhor do que procurar na net a sua conferência, em Maio de 2002, nas VI Jornadas Independentistas Galegas. Trata-se de um documento fundamental para a percepção do 25 do 4 visto pela esquerda.

Como adversário foi leal, porque nunca escondeu o que pretendia e como o pretendia. Sabia que podia matar e sabia que podia morrer. Teve sempre por nós (os seus verdadeiros adversários) um profundo respeito.

Também nós - os que o combatemos - lhe demos o mesmo respeito.

Agora que morreu apenas desejamos paz à sua Alma.