quarta-feira, agosto 29, 2007

Ainda a propósito de Leocádio

Como já bastas vezes referi as memórias são como as cerejas. Puxa-se por uma...

Quero hoje falar-vos de Leocádio. Homem pobre, honrado, de uma fidelidade total aos seus princípios. Legionário desde 1934 participou na Cruzada desde os primeiros dias.

Com a reforma não se esqueceu dos seus princípios participando sempre em todas as acções mais musculadas dos camaradas espanhóis. Conheci-o (nos meados dos anos 60) em Aluche, nos arredores de Madrid, apresentado por um camarada português José Tugnon Correia, antigo combatente (na força aérea) em Espanha e na Finlândia (lutando contra os bolchevistas). Era exactamente como o Leocádio. Sempre pronto e sempre fiel.

Na altura que cheguei ao exílio em Espanha procurei-o. Logo me atendeu e passou a dar todo o seu empenho para ajudar os portugueses. Como vivia junto dos quartéis de Campamento e se dava com os sargentos de muitas unidades logo nos propiciou os contactos necessários. Também nos trouxe ao contacto com o jovem Carlos Garcia, ex-paraquedista que - também ele - nos foi muito útil.

Aliás eram impressionantes - em Espanha - os poderes paralelos. Se do Governo de Franco não havia apoio explícito(antes pelo contrário), havendo apenas tolerância, dos sectores informais houve apoios que não poderemos esquecer. E sem que a própria polícia espanhola se inteirasse de nada. Só assim se explica, por exemplo, que esses poderes paralelos tivessem organizado (muito mais tarde e já em democracia), nas barbas do poder político e policial, o plano de eliminação do assassino de Carrero Blanco, que um dia vos contarei.

Pois o nosso Leo (para os amigos) era um homem das arábias. Nunca esquecerei que um dia, em Lisboa, em 1977, ouvi no noticiário as notícias do assassinato de um General do Exército.

Poucas horas depois eram abatidos 5 advogados do Partido Comunista espanhol na Calle Atocha. Parecia e dava a ideia de uma retaliação. Não foi assim, mas que parecia, parecia.

Logo pensei: os únicos capazes de fazerem isto, de uma forma tão rápida, é o pessoal do grupo do Leocádio e do Carlos. E para mim guardei esses pensamentos.

Uns dias depois ei-los presos e responsabilizados pelo atentado. Leocádio, foi condenado por ter propiciado o armamento para o atentado. Morreu pouco depois de sair da cadeia, com um cancro. Não o esqueceremos.

Hoy humo, mañana dinamita...



A propósito da minha confissão anti-bombista do postal anterior tenho de confessar um pecadilho. Sim, na melhor roupa cai a nódoa. Um dia Leocádio Jimenez Caravaca, antigo legionário que (como sargento) fez toda a Guerra de Espanha, camarada notável de uma disponibilidade extraordinária para os portugueses a quem muito ajudou fornecendo-nos muito hardware, pediu-me para o ajudar numa actividade que tinha programado para o dia seguinte. Sem saber o que era disse logo que sim.

E do que se tratava. Estava em cena num Teatro de Madrid uma peça bastante esquerdista, cujo nome ou enredo já esqueci. O que é que ele pretendia. Dar cabo daquilo. Bem pensei eu, entramos lá com um grupo resoluto e limpamos aquilo. Mas não. Ele tinha "inventado" uma coisa melhor. Com uns maços de tabaco, umas ampolas de vidro, umas coisas de plástico, e mais umas matérias inflamáveis e fumegantes faziam-se uns dispositivos muito giros. A nossa missão. Comprar o bilhete, sentarmo-nos e no intervalo sair para fumar. Nessa altura deitar para o chão os tais maços de tabaco e pisá-los para partir o vidro. Cerca de 30 segundos depois aquilo começava a deitar um fumo dos diabos. Lá fomos doze tipos e em 12 locais distintos começou a fumarada. Foi a debandada geral da pobre esquerdalhada. Os bombeiros de serviço ao Teatro apagaram imediatamente a luz. Nessa altura ouviu-se a voz do nosso Leocádio: hoy humo, mañana dinamita.

Assim acabou de vez a exibição da tal peça.

Ou seja eu (à minha maneira) também já fui um bombista (de fumo...)!!!

Há coisas fantásticas, não há?

Isto não é só dizer mal.

Às vezes o governo faz coisas boas e cabe-nos a nós louvar tudo o que tenha a ver com a preservação da Identidade Nacional.

Soube hoje pelos jornais que em Sacavém, no forte Monte Cintra, foi criado um arquivo arquitectónico relativo a 200 anos de obras de preservação do património dos edifícios e monumentos nacionais.

Trata-se do espólio da extinta Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, do INH, do IGAPE, bem como do arquivo de grandes arquitectos portugueses, nomeadamente de Pardal Monteiro.

São 8 quilómetros de prateleiras, com mais de 1 milhão de desenhos e 340.000 fotografias.

Para quando a sua digitalização e acesso em linha?

Conheci (nos idos de 74 e 75) parte do arquivo da DGEMN. A razão foi simples. Um dos seus técnicos, Engenheiro de grande qualidade e probidade (sem qualquer formação ou orientação política) e familiar de outro grande Engenheiro (como ele) e que foi vítima de uma saneamento selvagem para que um seu subordinado (todo de esquerda) conseguisse a almejada promoção. Bom resumindo: o nosso Engenheiro ficou furibundo.

E cedeu-nos uma quantidade não desprezível de plantas e fotos de uma série de edifícios públicos com interesse prático para uma luta que se adivinhava longa. Os locais eram por ele escolhidos (e com critérios bem válidos, reconheço) e permitiram-nos informações muito precisas e valiosas. Chegou ao ponto de indicar nalgumas plantas de estruturas os locais mais frágeis (do ponto de vista de resistência de estrutura) para a eventual colocação de bombas.

Eu que nunca fui bombista (fragilidade minha, mas reconheço uma visceral incompetência nessa área) fiquei na mesma, mas poderia ser útil para alguém.

Quero apenas dizer que a minha total falta de apetência por essa actividade teve a ver com o facto de um familiar meu directo (logo após a implantação da República) se ter feito explodir quando construía um artefacto bombista. E essas coisas ficam na memória familiar.

terça-feira, agosto 28, 2007

Ilha de Moçambique

(Alberto de Lacerda)

Desfeitos um por um os nós sombrios,
Anulada a distancia entre o desejo
E o sonho coincidente como um beijo,
Exalei mapas que exalaram rios.

Terra secreta, continentes frios,
Ardei à luz dum sol que é rumorejo
Para lá do que eu sou, do que eu invejo
Aos elementos, aos altos navios!

Trouxe de longe o palácio sepulto,
A cobra semimorta, a bandarilha,
E esqueci poços, prossegui oculto.

Desdém que envolve por completo a quilha,
Sou bem o rei saudoso do seu vulto,
Vulto que existe infante numa ilha.

Ai vamos longe, vamos ...

Lá morreu Alberto de Lacerda. Nado na Ilha de Moçambique (local mágico, onde se respira Portugalidade por todos os lados), veio para o Continente onde pelos inícios dos anos 50 colaborou no lançamento da Revista Távola Redonda superiormente orientada por David Mourão Ferreira e António Manuel Couto Viana. Nela trabalhou pelo menos nos primeiros 5 números.

Nunca fui um especial admirador da poesia de Lacerda. Recordo apenas um belo Poema à Ilha de Moçambique. É pouco, manifestamente pouco. Mas culpa minha, se calhar.

De toda a vida de Lacerda quero aqui recordar apenas a tacanhez dos burocratas de serviço deste país...

Um dia (e já depois do 25 do 4) um belo dirigente do Instituto de Alta Cultura descobre que o Poeta (que leccionava numa Universidade Americana, com um acordo com Portugal) não dispunha das habilitações literárias necessárias (e burocráticas) para tal encargo. Resultado: despede-se o tipo (que nem doutor é...). Claro que os americanos (reconhecendo-lhe o valor) o contrataram logo de seguida mandando o IAC dar uma volta.

Esta situação (e poder) dos burocratas fez-me imediatamente recordar D. Leonor Prado (uma das maiores violinistas mundiais do seéculo XX e aluna predilecta de Sasha Heifez). Não teve a carreira internacional que poderia ter tido mas ainda hoje (felizmente está viva) o seu nome é recordado com admiração no mundo da música.

Pois não é que os nossos burocratas do Ministério da Educação descobriram que ela não tinha a Licenciatura em Violino e por isso a quiseram impedir de transmitir os seus conhecimentos às novas gerações. Pois é, não era doutora da mula russa.

Ou seja tudo isto para dizer que com burocratas assim vamos longe, ai vamos, vamos...

segunda-feira, agosto 27, 2007

A não perder. O muito nosso Dragoscópio

DRAGOSCÓPIO: Salários, salafrários e dignitários

Ainda mais Wissemann

Tive agora mesmo a informação de que o Nassenstein faleceu em 13 de Fevereiro de 1981, na Alemanha.

Contudo ele foi detido pela PVDE (nome da PIDE na época) em 1944 e deportado para Peniche. Tudo isto por pressões dos ingleses.

Depois como decorreu o resto da história vamos investigar, que para isso é que nós aqui estamos.

Ainda a propósito do MAN

Tive agora conhecimento (através de um comentário a um meu postal de ontem) que o Luís Henriques também desejou envolver o meu nome no MAN, de forma, estou certo, a desviar as atenções dos mais jovens, comprometendo os "velhinhos" e estes que se lixassem.

No entanto, não precisei de ameaças para juntamente com outras pessoas da minha geração dar uma mãzinha jurídica ao MAN (não pelo Luís Henriques - a quem (repito) nada me ligava - mas sim pelo Rodrigo Emílio. Lá se estudou a situação e (deixando o assunto jurídico em muito boas mãos) lá elaboramos mais uns planos para o caso de a coisa correr mal.

Estou certo que os planos resultariam (pelo menos) num forte embaraço para o Estado Português. A campanha internacional preparada (com pesos muito pesados na Imprensa, área cultural e na política) excedeu todas as nossas expectativas. Pode-se assim aferir o prestígio internacional do Rodrigo Emílio.

Houve também uma situação que eu não vou resistir a revelar. Natália Correia sendo informada sobre o teor da lei celerada que previa 2 anos de cadeia para os "simples" simpatizantes do MAN e sabendo o Rodrigo implicado pela polícia logo se disponibilizou para se apresentar na prisão a fim de ser julgada e condenada a 2 anos de cadeia por também ela ser "simpatizante do MAN" (tivemos que lhe arranjar um jornal do MAN para ela saber do que se tratava...).

Estamos certos que ela o faria o que (dado o seu passado e atitudes desempoeiradas) deveria dar uma bronca de todo o tamanho.

Bem, houve mais uns disparates pelo caminho (de alguns velhinhos mais excitáveis), mas nada que não se conseguisse meter na linha...

Na realidade e quando o Rodrigo Emílio chegou a Lisboa para o início do julgamento conseguimos expor-lhe tudo o que se estava a passar e quais as medidas que tinham sido tomadas. E ele bem nos disse: tudo isto é muito bonito mas eu vou dizer-lhes tudo o que me apetecer e não me venham com tretas jurídicas... E a verdade é que disse!

Bem e eu lá assisti a toda aquela palhaçada (devo ser masoquista...). De bom bom tivemos as palavras do Rodrigo. De riso (à gargalhada) tivemos as alegações finais do Ministério Público. Calculem que eu estando com uns jornalistas ao lado ia dizendo antecipadamente tudo (ou quase) que o referido senhor de seguida dizia. Premonição? Não. Apenas plágio das alegações feitas pelo Ministério público italiano em casos semelhantes e que me tinham sido enviadas de Itália.

Enfim houve uns casos mais que deram gozo como a de um jornalista que não acreditava que um mero simpatizante fosse condenado (no Portugal democrático, como dizia) a 2 anos de cadeia. Com tanto azar dele o Procurador declarou isso mesmo logo após as minhas palavras. O homem ficou passado, e só dizia: isto não pode ser verdade...
Desafiei-o de imediato a publicar o que ele passou a ter conhecimento, e o desgraçado só me respondia: não posso, senão sou despedido... Edificante, como vêem.

Karl Wissemann - XII

Há alguns dias tive uma notícia que me deixou entusiamado. Parecia que alguém tinha em seu poder as palavras que Alfredo Pimenta pronunciou no funeral de Wissemann.

A pessoa procurou mas não encontrou. Sabe-se, contudo, que essas palavras estão escritas e não são apenas um improviso.

Esperemos, pois, um dia poder encontrá-las e publicá-las.

Wissemann - XI












Este assunto Wissemann está longe de estar encerrado. Relendo o livro recentemente editado em Portugal sobre "Os Alemães em Portugal", editado pela "Antília" lá descobri o nosso Nassenstein que foi a única testemunha alemã do sacrifício de Wissemann.

Passo a transcrever:

Diz-se que em 1942 a contra-espionagem em Portugal estava a cargo do SS-Sturmbannführer (major) Cecil Nassenstein. Nassenstein, desde 1936 tido como homem de confiança (V-Mann), foi destacado no estrangeiro em 1940 pelo Departamento VI (SD-Estrangeiro) do gabinete principal de segurança do Reich das SS. Dados os seus excelentes conhecimentos de inglês, foi-lhe confiada a tarefa de vigiar as actividades dos serviços secretos americanos e ingleses. No que respeita aos primeiros, desempenhou a tarefa com êxito, mas, relativamente aos segundos, não chegou a decifrar os códigos do MI6. Desempenhou missões altamente secretas pelo menos até 1944, altura em que uma agente sérvia informou que Nassenstein se encontrava em Portugal com o nome de código Cecil Rhode, o que teria levado à sua descoberta.

Karl Wissemann - X

Ainda voltando a Wissemann.

Uma das críticas maiores dos leitores desta série foi a de que o texto da imagem do Jornal Agora em que José O' Neill contava a história de Wissemann era de difícil leitura.

Mercê da magnífica disponibilidade de quem vocês calculam (só ele tem a capacidade para isto) eis o texto completo:

OS MEUS AMIGOS ALEMÃES

Neste meu trabalho, que escrevo por simples passatempo, têm surgido frequentes pretextos de aludir ao Alemães. A frequência de uma citação, pode fazer acreditar que, durante a guerra, ou antes dela, mantive quaisquer contactos com eles, lhes prestei algum serviço, ou fui pessoa da sua simpatia. Aqui garanto, publicamente, que não conheci um único alemão, nem antes nem durante a guerra, que nunca frequentei a Legação nem quaisquer serviços oficiais, que nunca visitei a Alemanha, a convite ou à minha custa (agora vou lá todos os anos), que nunca escrevi uma linha a seu favor durante a campanha ou antes dela (depois que a guerra terminou escrevi centenas de páginas). Antes, e durante a guerra, houve de facto muitos jornalistas portugueses (mais tarde germanófobos encarniçados), que receberam frequentes convites dos serviços de propaganda nazi, que os aceitaram, que encheram as páginas dos seus jornais com artigos de louvor, e que depois cobraram em dinheiro alemão o preço do reclame que fizeram. Eu, não. De resto, nem sequer era jornalista, que só o fui, e amador, quando já os Alemães estavam esmagados, presos ou enforcados, e os que viviam emigrados, tomaram eles que ninguém soubesse a que raça pertenciam. A minha simpatia germanista foi sempre desinteressada, como provei, defendendo a grande nação antibolchevista numa altura em que até os burros lhe davam coices! Ao contrário de muitos outros, dos tais que assinaram recibos de dinheiros recebidos dos serviços alemães, e que, sabendo esses recibos apreendidos, pelos Aliados, nos arquivos da Legação germânica, haviam passado a insultar, de castigo, a Germânia prostrada, para desfazer a má impressão que deveria ter causado ao vencedor a existência de tais recibos. Ao inverso destes salta-pocinhas da pena, só comecei a defender por escrito os Alemães um ano depois da guerrra terminada! E, ainda nessa data não conhecia um único alemão! Mas repugnava-me ouvir chamar ao povo «fronteiro da Europa», uma nação de 80 milhões de gangsters!
Os meus escritos que me valeram que os Espanhóis asseverassem que D. Quixote vivia em Lisboa, e os dois meus companheiros, sobretudo os de Alfredo Pimenta, Carlos Afonso de Carvalho, Manuel Anselmo, Joaquim Lança, Alberto Jerónimo, César Augusto, Francisco José de Brito, Parente de Figueiredo, Matos Gomes, Gonçalves d`Andrade, Manuel Saldida, António Matosco e outros, os desenhos impressionantes do espantoso realismo de Luís Andrade, e de Cunha e Costa, acabaram por sensibilizar de tal maneira alguns alemães, que viviam escondidos na sombra, cheios de pavor pela montaria de que eram alvo, que, um dia, conheci dois deles, os quais, apesar da sua gratidão para comigo, e de sentirem quando eu era amigo deles, nem em mim se confiaram inteiramente?
Na minha secretária da redacção encontrei um dia, uma carta. Não trazia selo, o que indicava que fora levada por mão própria, mas ninguém sabia quem fora o portador. Abria-a e lia-a. Estava escrita à máquina e não continha assinatura. Alguém me perguntava se me interessaria publicar uma série de artigos sobre os Julgamentos de Nuremberga. Em caso afirmativo, os artigos ser-me-iam entregues pela mesma via. Simplesmente, o anónimo correspondente não sabia como poderia eu dar-lhe uma resposta. Pensei no caso e lembrei-me de uma solução: publicar um anúncio no jornal, prometendo aos leitores, para breve, uma série de artigos sobre o Crime de Nuremberga, da autoria do nosso colaborador João das Regras. Como os artigos versavam temas de Direito, e o autor era para mim até então desconhecido, o nome de eminente jurisconsulto de D. João I ficaria bem. Pensei também na hipótese dos artigos não terem categoria intelectual suficiente: neste caso, o papel de João das Regras teria de desempenhá-lo o Dr. Alfredo Pimenta.
Com a publicação do anúncio, o meu anónimo correspondente compreendeu que me interessava a colaboração oferecida e mandou-me o primeiro artigo. Foi uma sensação! Depois veio outro e outro, até ao último. E eu sempre na ignorância do nome do autor! Entretanto, de todos os lados me pediam que esclarecesse sobre quem seria o autor, dos sensacionais artigos que uns atribuíam ao Prof. Cabral Moncada, outros, ao Dr. Alfredo Pimenta e a outros ainda.
Até que um dia o escritor Fernando de Campos, que, por vezes, também colaborava no jornal, veio convidar-me para tomar chá em sua casa. Estranhei o convite, porque o falecido escritor integralista não era muito das minhas relações, nem eu tinha por hábito tomar chá das 5 horas, para mais em casa alheia, embora acolhedora. Mas o distinto homem de letras tanto insistiu que fui. E em sua casa encontrei os primeiros dois alemães que conheci na minha vida. Uma deles era o meu correspondente anónimo, a quem eu pusera o pseudónimo de João das Regras!
Chamava-se o meu amigo João das Regras, Karl Wissmann, fora Adido de Imprensa em Vichy e em Lisboa, e não sei se ocupara outras posições de destaque na política do seu país. Só sei que era um homem magnífico, extraordinariamente culto, um verdadeiro chefe, com quem a sua pátria podia contar para se erguer, quando o vencedor se cansasse de cevar o seu ódio na carcassa do vencido. E precisamente porque era culto, valoroso, inteligente e jovem, era procurado com afinco pelo inimigo, que não sofria que ficasse vivo, depois da guerra, um alemão da sua têmpera! O companheiro de João das Regras era oficial do Exército, herói de muitas lutas, chamado Nasenstein, se bem me recordo, mas que se apagava na presença da forte personalidade do primeiro, seu irmão de infortúnio. Ambos viviam em Lisboa, onde os apanhara o final da guerra, escondidos de todos e da polícia, com nomes supostos e falsa nacionalidade, só saindo de casa à noite, porque até da própria sombra suspeitavam. E tinham razão para isso!
Pois estes dois meus amigos alemães, que apenas confiavam na família de Fernando de Campos, nem a mim divulgaram onde se acolhiam. Se o tivessem feito, talvez ainda fossem vivos! Encontrava-os todas as sextas-feiras, em casa daquela distinta família, e ainda hoje recordo os momentos inolvidáveis daqueles ansiados encontros semanais!
Mas o inimigo estava alerta, e procurava-os como se fossem malfeitores. Até que os encontrou, na pensão em que viviam, como cidadãos polacos refugiados. No momento da prisão, Karl Wissmann matou-se; Nasenstein quis fazer o mesmo, mas não teve tempo. Foi preso, levado para bordo de um avião, transportado com algemas para Hamburgo, metido num campo de concentração aliado, de onde escreveu passados meses, pedindo roupa, para não morrer de frio, antes do julgamento, que ainda demoraria, porque tinha trinta mil à sua frente!!!
Karl Wissmann foi sepultado no cemitério alemão de Lisboa. Junto do coval o Dr. Alfredo Pimenta pronunciou um comovedor discurso que fez saltar as lágrimas dos olhos de todos os presentes. Este discurso, de exaltação das qualidades morais de um homem que estava morto, quase assassinado, não foi possível publicar-se.
De Nasenstein nunca mais se soube. Não sei se escapou, se foi assassinado, após algum daqueles julgamentos que juízes de todas as nacionalidades, incluindo sululandeses se entretinham a fazer na Alemanha, por passatempo, depois da guerra.
Foram estes os únicos alemães que conheci. Por isso, quando certo tarado, com a carteira de jornalista, obtida por empenho, me classificou um dia de «germanófilo de proveitos», senti cá dentro tão grande ira que era capaz de o desfazer, se, naquela altura, o apanhasse «à mão de semear»!

José O`Neill

In jornal «Agora», págs. 1/11, 27.10.1962.

domingo, agosto 26, 2007

Como raio o Rodrigo foi implicado no caso MAN



Todos nós sabemos a disponibilidade total que o Rodrigo Emílio tinha para com todos os jovens que desejassem continuar a luta a que sempre se tinha dedicado. Não se escusava a nada. Fossem quais fossem os defeitos ou as maiores ou menores qualidades dos visados o Rodrigo sempre que lhe pediam ajuda correspondia sempre. Com uns artigos, com umas opiniões, mas nunca - por nunca o ser - no esquema organizativo ou táctico/estratégico dos movimentos.

No entanto ele foi metido à viva força (pelo SIS, DCCB e Ministério Público) como o principal organizador - e chefe - do MAN. Coisa que como todos nós sabemos nunca foi.

Como está referido no livrinho citado o problema do SIS era tentar implicar gente mais velha, de referência, no MAN; caso contrário o Movimento pouco ou nada poderia implicar a nível de segurança. Também em relação às relações internacionais do MAN se veriificou um vazio que fez uma vez mais desesperar os agentes do SIS.

A oportunidade de ouro foi o bom do Rodrigo. O "nosso bufo" começou a rodear o Rodrigo, a sugerir repetidamente que se consultasse o Rodrigo, a implicar, por tudo e por nada o Rodrigo Emílio. O que lhe causou, devo confessar, alguma preplexidade. Ele que nunca se interessou verdadeiramente pela organização, pretendendo ser acima de tudo um elemento garante da fidelidade aos Princípios e às Ideias, achou tudo muito estranho. Mas com a sua proverbial disposição lá continuou no seu exílio de Parada com a sua actividade normal. O assunto chegou ao ponto de alguém (SIS ou DCCB??) terem feito vigilância (canhestra, temos de confessar...) à Casa de S. José.

E lá foram mais umas massas dos nossos impostos...

E foi assim que nos vimos defrontados com a ameaça real (bem real) do Rodrigo Emílio malhar oito anos com os ossos na cadeia. E isso, meus caros, nós - os Amigos - não íamos deixar, apesar dele dizer: "se tiver de ser eu vou... 8 anos a mais ou a menos é a mesma coisa".

Eu não me carteio com essa gente



Por causa daquela palhaçada toda do bufo de serviço ao SIS o Tribunal constitucional reuniu-se em plenário para julgar a extinção do MAN, primeiro passo legalmente necessário para poderem meter na prisa meia dúzia de pessoas que incomodavam os tipos do sistema.

As principais vítimas a serem imoladas no altar da sagrada constituição a que temos direito seriam o Luís Henriques e o Rodrigo Emílio. 8 anos de cana para cada um era o resultado esperado. Os outros levariam um pouco menos (mas tudo para cima de 2 anos. Curiosamente o bufo também... ah!, ah!, ah!...

Bom, mas adiante.

Lá veio o habitual e burocrático processo de convocação de testemunhas, etc.

Lá seguiu a carta (registada e tudo) para Parada onde o Rodrigo Emílio deveria ser notificado. Todos nós (os Amigos do Rodrigo) sabíamos quão teimoso ele era. Se não queria abrir a porta de sua casa não abria e ponto final. Ora imaginem o que os desgraçados dos polícias que o queriam citar passaram... Até que depois de muitas e baldadas tentativas uma agente da psp teve uma brilhante ideia. Chegando à fala com o nosso Rodrigo informou-o que tinha uma carta do TC para ele. Ao que o Rodrigo retorquiu: "Eu não me carteio com essa gente!"

Mais uma vez - e em desespero - a referida agente resolveu sugerir que lhe leria a carta e ele assim seria notificado. O Rodrigo lá anuiu e foi assim que teve oficialmente conhecimento que tinha de estar em Lisboa para a referida audiência no tal plenário de juízes.

E lá veio ele... Mas eu vou continuar

Os bufos


Saiu há tempos um livro sobre os Serviços secretos portugueses editado por um jornalista José Vegar e em que revela algumas coisas sobre o SIS e seus antecedentes.

Foi escrito em colaboração (óbvia) com alguém lá de dentro. Do resto de que fala pouco me importa, não quero - contudo - deixar de analisar o que lá está escrito sobre o episódio MAN (Movimento de Acção Nacional.

Conforme se recordam o MAN surgiu em meados dos anos 80, impulsionado por diversos jovens de entre os quais se destacou o Luís Henriques. Luís Henriques era um jovem com muitas qualidades e quase tantos defeitos (aliás, como todos nós). Passou das palavras aos actos e isso foi importante. Nunca o acompanhei nessa sua missão mas nunca lhe faltei com os conselhos (duas ou três vezes, no máximo) que me solicitou. Fez coisas acertadas, coisas erradas, mas fez!

Editava um Jornal que eu comprava nas bancas. Foi a minha única atitude simpática face ao MAN.

Não concordei com algumas atitudes descabeladas do MAN, nomeadamente uma que me chateou a sério: um dia numa conferência organizada pelo Miguel Castelo Branco, da Nova Monarquia, em que estava presente um Grande Português (de cor negra) um grupo de elementos dessa Organização resolveu marrar com ele só pela cor da pele. Saltou-me a tampa e disse algumas coisas que os tipos não gostaram, mas não gostaram mesmo! Que se lixe!

Bom voltando atrás.

No referido livro conta-se a história de um tipo que (de ressabiado e com falta de massas) resolveu passar a ser o bufo de serviço do SIS junto do MAN. Até aqui nenhuma novidade (já se sabia e o tipo já tinha sido identificado). O que eu gostei mais de saber foi que foi ele que implicou o nosso Rodrigo Emílio em toda a guerra do MAN. Sim porque para mostrar serviço - e continuar a receber as massarocas - o MAN tinha de ser uma ameaça real. Para isso nada melhor do que envolver o Rodrigo Emílio e uns estrangeiros no assunto.

É patético que o estado tivesse gasto dinheiro desta forma. Que falta de nível. Foi atroz ler o que li. Então o SIS é isto? Deus meu! Estamos entregues aos bichos!!! E querem eles agora investigar a ETA. O quê? Com gente desta? Bem vão gozar os etarras habituados que estão a lidar com gente a sério!

Enfim cada país tem os serviços que merece.

Mas depois deste intróito eu vou contar - em próximos postais - umas coisas da época.

sábado, agosto 25, 2007

O que eles querem é massaroca...

As novas festas gualterianas...



Não não fala das Festas Gualterianas que desde 1906 nos deslumbram em Guimarães.

Falo sim das festas do "doutorando" gualter, que de santo parece não ter nada...

Tanto quanto fui informado este novo "inquisidor - mor" do reino frequenta um convento pouco ortodoxo ali para os lados do bairro alto. Não usa cilício mas sim uma correntes com berloques e gosta muito de caviar. Ou não habitasse no lado esquerdo do convento. De quando em vez está pela RDA (república democrática de almada). Foi candidato de um partido que hoje quer à viva força ir para o arco do poder. Ou não tivesse o seu chefe dito (no dia das eleições da CML) a frase assassina que nenhum comentador ou jornalista reparou: nós somos socialistas da esquerda...

Mas adiante.

Hoje apetece-me falar dos transgénicos. E de sementes. Para contar uma história edificante. Para quem não sabe a maioria das plantações hoje realizadas são feitas com sementes já geneticamente trabalhadas. Para evitar doenças, etc... O que dá a mania da normalização...

A diferença destas sementes de milho é que elas não produzem novas sementes obrigando os agricultores a comprarem à Monsanto (multinacional detentora da patente) novas sementes todos os anos. Ou seja um maná para os "capitalistas"...

É evidente que em laboratório poder-se-ia conseguir criar sementes com as resistências destas mas reprodutíveis. Mas como a Monsanto tem a patente mundial ninguém pode ir por aí...

Uma história lateral, mas muito, mesmo muito, importante. No final da 2ª GM os ingleses (com o direito de saquear que lhes foi dado em Ialta) levaram para Inglaterra a maior "colecção" de sementes originais do mundo. Estava numa Universidade Alemã.

Passados mais de 30 anos e como era caro manter essa acervo científico os ingleses resolveram ver-se livres do pesado fardo. E que fazer? Devolver aos alemães. Nem pensar. Vende-se aos americanos (e barato). E eles lá fizeram o sacrifício de acolher as sementinhas.

Ou seja, caso estas sementes trabalhadas em laboratório derem para o torto e for necessário restabelecer as plantações originais da natureza os americanos possuem a matriz. Estão a imaginar o que isto significa?...

Enfim nisto o nosso gualterzinho não fala. Prefere atacar a Monsanto... Eu não disse atacar em Monsanto, perceberam...

Ainda a propósito da Eufémia...

Claro que estas coisas são como as cerejas. Puxa-se por uma e ...

Então do que é que eu me fui lembrar:

Os comunas da nossa praça sempre que se fala na Catarina Eufémia não se cansam de repetir que a ceifeira (essa sim) morreu com um bébé na barriga (por estar grávida de poucas semanas).

Então afinal (e depois do novo revisionismo comunista) o que uma mulher tem na barriga é um amontoado de células ou uma criança? Palavra que estou baralhado. Eu só os ouvi dizer na altura do referendo dos abortistas que até às 10 semanas (em ponto, tipo relógio suiço) só lá estava um monte de células!

Então afinal em que é que ficamos: é bébé ou é um amontoado de células: (como eles costumavam dizer em relação ao Alqueva) definam-se, porra!

Cereal Killers...

Ou a gargalhada geral no mundo rural...

Um grupo de bons burgueses daqueles que frequentam o Bairro Alto (e nunca trabalharam na vida) resolveu atacar uma plantação de cereais no Algarve. Tudo foi dito e explicado por muita e boa gente. O que eu não vi, foi ninguém rir à gargalhada com a afirmação do "doutorando"? Gualter de que tinham ceifado as massarocas de milho lá do pouco informado agricultor algarvio.

A gargalhada foi geral nas ceifeiras alentejanas. O quê: "ceifar" milho!!!! Ah, ah, ah!!!. Hoje ainda se estão a rir. Nenhum jornalista percebeu que o milho não se ceifa. O trigo sim. Mas milho e trigo não são precisamente a mesma coisa.

O "doutorando" Gualter não sabe, mas isso é normal. Ele só tem 28 anos e anda na universidade. Nunca trabalhou, como é que poderia saber. Mas os jornalistas, Senhor?

Outra reflexão a propósito dos eufémicos. Eles deveriam estar à espera que a GNR criasse uma nova Catarina Eufémia. Só que o tenente da nova gnr não desejou ser o novo Carrajola. Chamar o SEF para identificar os estrangeiros sem papéis... Não que isso dá chatice. Tira-se a matrícula aos carros, identifica-se meia dúzia de portugueses que o ordenado no fim do mês vem na mesma, e não se arranjam problemas. Além de mais é um emprego para a vidinha, e isso é que faz falta hoje em dia...

terça-feira, agosto 21, 2007

Ainda Aljubarrota


No dia 14 de Agosto e apesar de estar em férias não resisti e passei todo o dia (em espírito) em São Jorge, no campo de batalha de Aljubarrota. Frequento o campo desde os meus 6/7 anos (levado pelo meu Pai) e desde os 13 por vontade própria. Trabalhei fisicamente (nos idos de 60) na recuperação da capela de S. Jorge bem pertinho do campo sagrado da Independência de Portugal.

Pensei nas gerações que continuaram a gesta do Condestável. Pensei também nos traidores que neste solo português nasceram. Pensei também nestes iberistas da treta (saramagos, linos e associados, sociedade anónima de irresponsabilidade ilimitada). O vil metal uma vez mais condiciona estes iberistas para quem um fim do mês mais fácil é meio caminho andado para se entregarem de "alma?" e "coração?" nas garras de Castela.

O nosso muito caro Amândio César


Vou-vos falar hoje um pouco do nosso Amândio César e refutar (por ser testemunha directa) uma das acusações que lhe é feita pela nossa esquerda catita. A saber: Amândio César é o responsável do assalto à Sociedade Portuguesa de Escritores. Assim, tal e qual.

Mas eu conto:

Em 21 de Maio de 1965 a Sociedade Portuguesa de Escritores, presidida por Jacinto Prado Coelho, atribui um prémio literário a Luandino Vieira, nome literário do português de origem e independentista angolano, José Vieira Mateus Graça, pelo seu livro Luuanda.

A atribuição do prémio (de cariz nitidamente política - que não literária) gerou uma forte comoção em Lisboa. Luandino era um militante comunista, filiado no MPLA. O júri de que faziam parte elevado número de escritores do aparelho "intelectual" do PCP (os pequenos e médios intelectuais, como na altura se dizia) decidiu, por maioria, atribuir o prémio - um dos mais prestigiados em Portugal e, até à data, sempre entregue a personalidades de esquerda ou de direita, mas com méritos artísticos firmados, ao escritor (e preso político) do MPLA. Estávamos em guerra e o MPLA continuava a chacinar portugueses de todas as etnias.

Amândio César - o primeiro a ensinar-me que não há escritores de direita ou de esquerda, há sim bons e maus escritores de todos os lados da barricada, reage publicando um artigo em que condena veementemente a atribuição do referido prémio. Também de imediato lança uma campanha entre os confrades escritores para a realização de uma Assembleia Geral que destituísse os corpos sociais da SPE. Os escritores Joaquim Paço d'Arcos e Luís Forjaz Trigueiros, em protesto, chegaram a pedir a demissão da sociedade. Jacinto Prado Coelho (Presidente da Sociedade) demarca-se da atribuição do prémio...

É então que um grupo de algumas centenas de jovens resolve assaltar e destruir a SPE. Eram jovens e não pides conforme anos mais tarde Urbano Tavares Rodrigues (do sector intelectual do PCP) diria. Toda a SPE foi destruída com excepção da Biblioteca e dos quadros dos escritores nela expostos. Dias depois Galvão Teles assina o despacho a extinguir a SPE.

Bem e agora voltando à história. No dia seguinte quando entro no Aviz vejo o nosso Amândio com cara de caso. De chofre perguntou-me: fizeste parte daquele grupo de vândalos que destruiu a Sociedade? Não lhe respondi, porque ele me não deu tempo. Começou com uma catilinária sobre os excessos dos jovens, que o que eles tinham feito era um disparate. O que os salvava era não terem destruído a biblioteca, etc... etc...

Durante uns bons tempos e sempre que o assunto se propiciava lá vinha ele falar dos energúmenos que tinham destruído a SPE que ele estivera a ponto de assumir (para o nosso lado) a sua direcção. Que os jovens tinham de pensar em vez de fazer disparates, que o PC e os católicos progressistas franceses só falavam do ataque o que muito prejudicava Portugal, etc.

Um dia disse-me mesmo. Se eu sei que participaste no assalto nunca mais te falo!

Pois foi a este Homem que a esquerda acusou de ser o instigador do assalto à SPE. É falso. Eu ouvi dele coisas horrendas. E como me custaram!

segunda-feira, agosto 20, 2007

Mais uma resposta a uma Anónimo...

Um caro anónimo que (ao que vejo) continua a ter pachorra para me ler, vem-me acusar de "anti-semitismo" a propósito de um despretensioso postal que coloquei dia 6 de Agosto. O que eu queria dizer naquele postal (e tem tudo a ver com a forma como o governo deste país trata os nossos antigos combatentes) era que o governo israelita tinha recebido ( e continua a receber) triliões (em português, ou seja milhões de milhões de milhões) de marcos alemães por causa da shoa (equivalente ao nosso PIB durante mais de 7 anos). Seria, no mínimo normal que esse governo procedesse de forma menos economicista face aos sobreviventes desse caso. Mas não, 14 euritos (dois mil e oitocentos paus) e já gozas... Ora isto é mangar com as pessoas!

Outro dos factos que me chocou foi o da senhora na entrevista dizer que odiava os alemães e que eles deveriam ser todos mortos, mas em simultâneo aceitava de bom grado lá viver e que o governo alemão lhe desse uma boa pensão e lhe pagasse os seus medicamentos. Ou seja vende-se por um prato de lentilhas.

Mas eu diria exactamente o mesmo se se tratasse de outra situação semelhante noutra qualquer parte do planeta. Imagine-me a trabalhar para uma empresa titulada pelos descendentes de um dos liberais que na Guerra Civil portuguesa enforcou (negando-lhes a honra de um fuzilamento!) quatro dos meus antepassados (só por serem legitimistas). Era impensável. Mas a isso chama-se carácter.

Ou seja, para si, tudo aquilo que eu possa dizer sobre os judeus é anti-semitismo. Mas no mesmo dia em que li o seu comentário a D. Esther Muznick publicava um artigo no Público em que criticava o cardeal francês (judeu de origem) que se converteu ao catolicismo, discordando profundamente dessa conversão. Será que isso é anti-catolicismo?

Como dizia noutro dia hoje o "anti-semita" não é aquele que odeia judeus, é sim aquele que os judeus não gostam! Não sei porquê, mas não gostam de mim. Pois fiquem com os vossos gostos que eu continuo igual ao que sempre fui. Um homem livre de pensar e criticar tudo aquilo com que não concorde.

Acabou-se o que era doce ...

Pois acabou. Durante cerca de uma dúzia de dias estive com uma preguiça aguda. Precisava. A cabeça parecia que estourava. Estive apenas a cansar-me fisicamente. Foi óptimo. Foram as férias que precisava.

Também não escrevi porque dos três factos mais salientes ocorridos na minha ausência - o aniversário da morte de Amândio, os cem anos de Torga e o (esperado) falecimento de Carlos Eduardo de Soveral - foram superiormente tratados pelo Nonas.

Vocês nem calculam o deleite com que li os magníficos postais por ele escritos, o seu trabalho de documentação, o seu fabuloso (não tenhamos medo das palavras) texto sobre o muito nosso Soveral. Vi que não fazia falta nenhuma. Porque o Nonas estava no seu melhor. Ainda bem!

Li também com enorme prazer o texto do Bos sobre o ACR. Desconhecia a história e fiquei contente pelo facto de o BOS nos ter encantado (uma vez mais) com um texto de grande qualidade o que conseguiu sem dar muito tautau no ACR.

Um dia destes, ou talvez hoje ainda, vou também falar (uma vez mais desse Senhor). Aproveito porque durante as mini - férias reli algumas coisas de Dostoievski e (não sei porquê) lembrei-me muito de ACR. Mas eu depois conto.

terça-feira, agosto 07, 2007

0% de racismo - 100% de identidade

Pequena sonata para piano e pescoço


... ou a paranóia dos "exílios".

Um dos aspectos mais caricatos dos exílios é a paranóia que se instala entre os que os sofrem.

Garanto-vos que não estava preparado. Quando se está no exílio perde-se (bastante) o contacto com a realidade e assistimos a situações que (de tão caricatas) nunca por nunca o ser as julgavamos possíveis.

Uma das situações que mais me custou a ultrapassar (no meu caso) foi a falta de vivência diária da situação. O não saber como as coisas corriam (na realidade) ou ver com os nossos olhos as reações dos envolvidos deixa-nos num estado de tensão muito grande. Sim porque uma coisa é receber relatórios ou visitas outra é viver o dia a dia. Mesmo as fugazes deslocações a Portugal não me davam a perspectiva real do que se estava a passar. Numa situação revolucionária é necessário viver o momento, caso contrário podemos ter uma noção errada do que estava a ocorrer.

Mas adiante. Todo este intróito tem a ver com o meu postal anterior em que falava de umas ameaças de morte feitas logo no dia imediato a eu chegar a Madrid.

Vale a pena contar só para revelar o espírito que se vivia entre diversas pessoas. O que me valeu foi ter o Rodrigo Emílio como companhia diária para escapar à parvoeira instalada entre certa gente.

Pois o nosso homem (da direita dos interesses) que tinha sido de um tal Partido Liberal resolveu (por estar com uns capangas e gostar de mostrar que era muito homem - andava com um 9 longo á cintura) ameaçar-me com uma corda de piano à volta do meu pescocinho visto ser "amigo" do "pêpê. Apesar de estar desarmado e sozinho (e com o meu mau feitio da época) estive vai não vai para me atirar a eles. O que me valeu foi a necessidade imperiosa de transmitir ao Rodrigo as últimas. Lá me aguentei conforme consegui e sem reagir.

Mas que cá ficou, ficou.

Passados uns tempos estando eu na zona de Aluche (arredores de Madrid) visitando um camarada espanhol (que muito nos ajudou) com quem é que eu dou de caras. Pois com o "pianista". Para quem não conheça, Aluche, na época, era quase um descampado. Estava ainda a ser feito o parque "Arias Navarro". Aproveitando o facto resolvi logo ali desafiar o nosso homem para interpretarmos (em conjunto) a tal sonata para piano e pescoço que o rapaz tinha tentado executar uns tempos antes.

Foi um problema dos diabos. Ele bem sacou da 9 longo (arma demasiado grande para se ser rápido) e logo ficou sem ela. Resultado sem a "pistolita" (e sem os capangas) o rapaz deu às de vila diogo. Nunca mais o vi. Aliás minto, pouco antes do 25 de Novembro, vi-o de novo. Desta vez nem esperou e saiu logo pela esquerda baixa (ou seja fez uma ofensiva à Spínola ...).

Ou seja misturar a direita dos interesses com a direita dos valores dá sempre (ou quase sempre) mau resultado. Foi esse um dos principais problemas do pessoal que estava em Madrid. Tirando um ou dois casos pontuais a gente da direita dos interesses estragou mais do que ajudou...

Hoje o nosso "pianista" é do PSD, depois de ter passado pelo CDS. Enfim o costume.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Receberam que se fartaram ...

... e agora não pagam.

Ou ainda

Os sobreviventos da shoa pedem asilo na Alemanha...

Viemos a saber pelo "público" de hoje que os sobreviventos do holocausto residentes na terra prometida estão mesmo chateados visto que o governo deles só lhes quer dar 14 euros de aumento na pensão que recebem por aquele motivo. Ora os israelitas fartaram-se e fartam-se ainda de receber o cacau alemão para pagamento dos campos de concentração. E distribuir pela sua gente é que não.

Calculem que a TV entrevistou uma mulher a viver em berlim. Ela contou que saiu de israel para ir viver na alemanha porque ali recebe medicamentos de graça e tem uma boa pensão mensal... Ou seja ela está-se nas tintas por viver na "terra dos assassinos do seu povo". O que ela quer é carcanhóis, pilim, massaroca ...

E os alemães a pagar...

Para acabar com a história do MPP

Acho que já gastei tempo mais do que suficiente com este tema. Prometi-vos falar do "mau da fita" e é disso que hoje me vou ocupar.

Na reunião inicial do MPP estiveram presentes, para além de mim e da Maria J.,algumas pessoas das quais me recordo de Galamba de Oliveira, Gama Ochoa, José Vaz Pinto, José L Pechirra, Adelino Felgueiras Barreto, António da Cruz Rodrigues, José Bayolo Pacheco de Amorim, Nuno Abecassis, Fernando Meira Ramos, Rückert Moreira e Pedro Rocha. Posteriormente e já passava das 22,30 chegou o "o outro".

Mas quem era o "outro". Chamemos-lhe "pêpê" (o seu nome de código). Era um jovem que aderiu aos meios nacionalistas ainda no tempo de Salazar. Graduado da MP e da Milícia veio a colaborar com diversas organizações nacionalistas da época. Tratava-se de um jovem com (digamos) alguns comportamentos pouco ortodoxos(não sou entendido na matéria pelo que me abstenho de os caracterizar). Sempre assim o conheci e sempre o aceitei assim. Não tinha e não tenho nada a ver com as características das pessoas.

Bom adiante... Um dia jovem Alferes Miliciano foi mobilizado para a Guiné. Ia cheio de ideias e ideais. Spínola tinha convidado anteriormente uma série de elementos ligados aos meios nacionalistas para a sua equipa de propaganda. Zé Vale, Sá Pessoa, etc. O pêpê ia integrar a equipa.

Passado cerca de um ano reencontro-o em Lisboa. Furibundo. De férias no meio da comissão queria alertar tudo e todos da traição que grassava na Guiné. Relatou-me(nos) coisas do arco da velha, com nomes, locais e datas. Tudo muito detalhado. Os nomes dos traidores estavam lá todos. Referiu que perante tudo isto se tinha rebelado e como tal tinha ido malhar com os ossos na zona de combate. Não que isso o preocupasse muito (honra lhe seja), mas sim porque assim a coisa ia acabar mal.

Minha culpa (e não só). Como ele por vezes era um pouco exagerado não lhe demos o crédito que sem dúvida merecia. Aliás eu próprio quando assisti em Moçambique a umas cenas semelhantes percebi lindamente tudo e bem arrependido fiquei de não lhe ter ligado.

Bom regressemos ao 25 (convém lembrar que o seu irmão era do mfa...). Logo o "pêpê" começa a aparecer um pouco por todo o lado com uma militância desenfreada, ligando-se a tudo e a todos. Jovem advogado (recém licenciado) invocando ter sido o primeiro a desmascarar a traição da Guiné, mexia-se de forma frenética em sítios inimagináveis. Conseguiu ter acesso a militares, políticos, banqueiros, etc. A sua capacidade de convencimento das pessoas era notável. Eu que o conhecia bem afastei-me o mais possível dele (não porque o julgasse um traidor infiltrado, mas por uma questão de segurança, visto ele se estava a expor muito).

Antes do 11 de Março coincidi, por acaso, numa reunião de pessoas a sério e muito espantado fiquei de o ver lá. Afastei-me logo, foi a minha sorte...

Corriam então em Lisboa informações desencontradas sobre o nosso homem. Que era um provocador, que era um bufo, etc. Cheguei a receber perguntas concretas sobre ele vindas de Espanha. Mas sempre respondi de acordo com o que pensava.

A verdade é que a seguir ao 11 de Março não fui de cana e se ele fosse o tal bufo de que se falava teria ido de certeza... Adiante.

E eis-me chegado ao dia 29 de Maio de 1975. Na véspera tinha passado a fronteira (a salto). Encontrava-me em Madrid onde aguardava por Rodrigo Emílio. Recebo uma visita de diversas pessoas que conhecia (uns mais do que outros) que logo me começaram a "interrogar" sobre as minhas relações com o tipo. Lá fui respondendo sem grande interessa visto pouco (ou nada) ter a ver com aquela gente. Até que o caldo se entornou. Um deles ameaçou-me de morte, falando-me duma corda de piano à volta do meu pescoço e coisas do género. Bem é preciso esclarecer que eu na altura tinha muito (mas mesmo muito) mau feitio. No entanto como era importante (antes de resolver esse problema) estar com o Rodrigo lá me aguentei (conforme pude) sem estrilhar o suficiente. (depois eu conto o desenlace desta historieta...).

Poucos dias depois sou interrogado exaustivamente pela polícia espanhola também sobre ele. Contaram-me coisas do arco da velha (desde ele ter estado em Badajoz a tirar nota das matrículas dos carros dos portugueses, até sei lá...). Lá expliquei detalhadamente aquilo que eu pensava ter ocorrido, as características do rapaz, etc.

Ainda fui chateado mais duas ou três vezes sobre este homem. Mas a verdade é que ninguém (que eu saiba) que tenha partilhado com ele alguns segredos foi de cana ou sequer interrogado sobre matéria em que estivessem os dois envolvidos.

Depois de tudo ter passado e cada um tentar refazer as suas vidas o nosso "pêpê" continuou igual.

Ou seja gastou-se, quanto a mim, tempo a mais com ele. E ACR acusa-o de ser um elemento provocador (no mínimo). Aí ele tem razão. Mas era pela sua maneira de ser e estar na vida...

Amândio César - 20 anos de saudade

Vou começar esta semana a publicar o máximo que conseguir referente ao muito nosso Amândio César. Dia 10 faz 20 anos que nos deixou fisicamente. Mas posso-vos garantir que para muitos - mas mesmo muitos - ele continua na nossa memória.

O horror absoluto

Faz hoje anos que os americanos lançaram a sua primeira bomba atómica sobre o Japão.

O Presidente deles disse que era a vingança do ataque a Pearl Harbour. Houve contudo uma "pequena" diferença. Pearl Harbour era uma instalação militar, com elevado número de armas defensivas e ofensivas. Hiroshima nem defesa anti - aérea tinha.

Não foi o ataque mais mortífero da guerra (quer Dresden quer Hamburgo ultrapassaram significativamente o número de mortos civis de Hiroshima). Mas abriu um capítulo novo na história da humanidade.

Não que o mundo tenha ficado mais feliz, antes pelo contrário, mas sim porque inviabilizou qualquer guerra que não seja local.

Numa data destas quero apenas recolher-me e recordar os pobres dos civis mortos, afinal os grandes derrotados de todas as guerras.

sábado, agosto 04, 2007

Em nome da metáfora...



600 cristeros enforcados nos postes telefónicos que ladeavam o caminho de ferro mexicano. Mortos em nome da "Inteligência"

"Em nome da arte" já teve os seus efeitos. Um dos visados na parte final do meu postal já reagiu. (não não falava do Prof.Doutor Damásio. Falava de outros dois que lá estiveram...)

O nosso homem telefonou-me tentando corrigir-me e declarando que as palavras do chefe da frelimo eram uma metáfora. Que eu não tinha compreendido bem. E que não havia qualquer mal em ele usar agora o "avental", visto aquilo ser uma "coisa esotérica"(sic).

Pois eu insisto e persisto.

A esquerda mundial (apesar da sua superioridade moral, Soares dixit) teve sempre por hábito, arranjar desculpas quando fuzila, enforca, esgana ou corta cabeças aos seus inimigos.

Na Hungria de Bela Khun era em nome da "cultura". Nas guerras cristeras do México era em nome da "inteligência", nos Kmerhs vermelhos era em nome do "homem novo", e assim seguidamente.

Pois eu afirmo: em Moçambique correram hectolitros e hectolitros de sangue de renegados (é certo), mas também daqueles que tiveram coragem de ser portugueses até ao fim.
O "poeta" afirmou que a arte devia fuzilar os inimigos da revolução.

Afinal era uma metáfora, segundo me foi referido.

Ou seja os desgraçados levaram com umas rajadas de "metáforas" propiciadas por aquele belo objecto difusor de "metáforas" - a Kalashnikov. E levavam a metáfora final propiciada agora pelo outro difusor de "metáforas" - a pistola Tokarev.

Ou seja não retiro uma palavra ao que disse.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Novo bom sangue português


Apresento-vos Emílio de Melo.

"O novíssimo príncipe" - neto de Rodrigo Emílio.

Que o chamamento do teu sangue seja o garante da perenidade da tradição familiar. Que saibas honrar os teus!

Que Rodrigo Emílio lá onde estiveres lhe dês a "benção da caneta e da espada".

Parabéns ao Goncho, Catarina e à babada Tera

Confesso que roubei...


... a ideia ao maravilhoso blogue 31 da Armada.

Nada melhor do que esta imagem (sonho de qualquer berloquista que se preze) para louvar a magnífica ideia do Costa de atribuir o pelouro de ambiente e espaços verdes ao lídimo representante dos caviaristas de serviço.

Faço minhas as palavras do Humberto Nuno

A propósito da morte de Holden. Nunca poderia dizer melhor.

Em nome da arte...


Dia 31 de Julho - Universidade Lusófona. Lisboa. Um antigo quartel dos tempos em que o Exército Português se designava por "glorioso".

Neste dia este indivíduo é doutorado "honoris causa"?? por esta universidade.

E no Auditório Agostinho da Silva!!!!!!!!!!!!!!!

Quem falou. Almeida Santos (laudatória) e Manuel Damásio (apresentação). Não me pronuncio mais sobre estes dois indivíduos. Recuso-me em nome dos meus princípios e da minha memória.

O "doutorado" foi o terrorista Marcelino dos Santos, da Frelimo, que tantos e tantos mortos causou aos portugueses antes e depois do 25.

O gabirú também escreveu poesia. Tinha o pseudónimo de Kalungano.

Apenas quero recordar uma sua afirmação publicada na revista Tempo de 26/6/85 :

"A Arte deve fuzilar todo o inimigo da revolução".

Tal como os de Bela Khun na Hungria do final da 1ª Guerra Mundial que fuzilavam em nome da Cultura, estes fuzilavam em nome da Arte.

E não foram poucos os desgraçados que levaram com umas rajadas de arte e com mais arte como tiro de misericórdia!

Pois é os "interesses económicos ou triangulares" impõem-se neste vale tudo em que mesmo colocando o "avental" quem por lá anda sai bem conspurcado!

A propósito eu fui militante do Jovem de Portugal. Quem perceber, percebeu!

quinta-feira, agosto 02, 2007

Incongruências da "bufaria"

Pois é agora que a "bufaria" ganhou foros de cidadania com o nosso Licenciado em Engenharia Sousa (sejamos honestos, isto aplica-se mais aos so - cretinos) o blog da bufaria acabou. Fechou, encerrou. Que pena!

E acabou sem sequer revelar o meu nome. Fico furibundo. Tem lá tanta gente sem interesse nenhum (a marcelagem é mato) e do meu nome nada. Afinal eu não valia nada, esta é a realidade. Rende-te à evidência foste um falhado. Ninguém, nem eles, se interessaram por ti. És uma carcaça velha desprezível. Aceita.

PS: Apesar de tudo tenho uma secreta esperança. Eles disseram que tinham mais nomes e que os revelariam a quem se comprometesse a publicar esses nomes na rede. Pode ser que ainda me safe...

Ainda me vão ver Negacionista e Revisionista!!!


Não D. Esther Muznick não fique nervosa nem comece a telefonar já para o SOS Racismo nem para a sua Embaixada.

Não são só vocês que tem uma história oficial. Há mais gente.

Crédulo como sou (apesar de desconfiado e saber que são sempre os vencedores que escrevem a história) nunca por nunca o ser desconfiei desta historieta do "aquecimento global", do "efeito de estufa provocado pelo CO2", etc. Eles são concertos para salvar o planeta, eles são políticos, eles são jornalistas, eles são as famigeradas ONG (já repararam que são as organizações em que se ganha mais dinheiro - se fosse mais novo criava uma e enchia-me...)

Isto estava tudo muito certo até que li na última edição da "Nouvelle Revue d' Histoire" (que assino desde o primeiro número) uma entrevista feita por Bernard Lugan a Marcel Leroux, Professor universitário de Climatologia, antigo director do Laboratório de Climatologia, Riscos e Ambiente, membro da American Meteorological Society, etc.

Bom fiquei banzado. Nunca me tinha debruçado a sério sobre este assunto. Todas as "verdades" oficiais cairam (uma a uma) por terra e tudo numa linguagem acessível a ignorantes totais (o meu caso) da ciência climática.

Decidi investigar um pouco. Os dados por ele indicados estão disponíveis na net. Decidi adquirir alguns livros sobre o assunto. E garanto-vos que os vou ler, comparando-os com os da "verdade oficial". É um bom exercício. No final tirarei as minhas conclusões.

E enquanto não for proibido contestar a verdade oficial (como noutros assuntos, que dá mesmo cana e da grande) voltarei ao assunto. Penso é que os da "verdade oficial" face a esta situação vão fazer uma lei a proibir a contestação das teses oficiais. Já fizeram antes, porque é que não farão depois.

Mas até lá vou-me informando para poder ter uma opinião. Quando eu for proibido de dizer aquilo que estudei passo a confirmar (com a mesma cara com que estou): foram os alemães que mataram os oficiais polacos em Katyn (ficou provado no Julgamento de Nuremberga, e como sabem é proibido contestar a verdade provada em Nuremberga).

Mais uma ISC...


Ou seja mal eu sabia quando redigi aquele postal de ontem que ía produzir-se mais uma ISC (interrupção socialista de carreira), ou em português corrente "discordas das medidas dos nossos brilhantes governantes = vais para a rua".

Desta vez tocou a vez ao Museu Nacional de Arte Antiga (o nosso Museu mais importante).

Dalila Rodrigues foi ontem corrida do cargo por "discordar" publicamente da politica deles em relação ao modelo de gestão dos museus.

Dalila é uma historiadora reconhecida, nos meios culturais e público em geral, como uma mulher de armas e uma autêntica Midas. Onde toca põe tudo a funcionar (com tino e elevado dinamismo). Depois de vir de Viseu (Grão Vasco) fez duplicar o número de visitantes do MNAA, tendo também captado mecenato para actividades e obras de remodelação.

Quem lá vai assiduamente (como eu) já viu (e de que maneira) o virote que aquilo levou em tão pouco tempo (cerca de 3 anos).

Mas a "eles" o profissionalismo e a cultura das pessoas não interessa. Só os "sim senhor(a) ministro(a)". Correram com o Pinamonti, com ..., tentaram tudo por tudo por correr com o Benard da Costa da Cinemateca. Ontem tocou a vez a Dalila Rodrigues.

O futuro director do MNAA, Paulo Henriques, aceitou o cargo por ser "estimulante"(sic).

Vai uma bebida isotónica, em vez do lugarzinho...?

Ou seja mais uma machadada na vida do nosso pobre património cultural.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Chamem os bois pelos nomes!

Estou farto do PC - politicamente correcto, quero dizer. Por tudo e por nada lá aparecem as malditas "novas palavras" assépticas, incolores e inodoras com que os "nossos?" políticos e jornalistas nos bombardeiam constantemente.

Lendo a imprensa "deste país"(sic) é só "caucasiano" em vez de branco, "afro europeu" em vez de preto, etc... O aborto é a "Interrupção Voluntária da Gravidez".

Enfim estou tão farto que quero agora novas expressões para me distrair dos disparates deles. Pensei e aqui deixo algumas dicas (politicamente correctas, é claro):

Então temos:

Onde se escreve:

- Suicídio deve passar a ler-se "Interrupção Voluntária de Vida = IVV"

- Eutanásia deve passar a ler-se "Interrupção Economicista da Vida =IEV"

- Pena de morte, deve ler-se "Interrupção Governamental de Vida = IGV"

- Dizer mal do governo, deve ler-se "Interrupção socialista da carreira = ISC"

- etc ...

Assim a desgraçada da IVG não fica sozinha. Quem é vosso amigo, quem é oh senhores do PC?

terça-feira, julho 31, 2007

Tempos de chumbo

O Novo Press - instituição por quem tenho o maior apreço e cuja leitura não dispenso - resolveu (numa perspectiva louvável) dar umas pinceladas na história da "Aginter Press". Quanto a mim, foi induzida em erro (grave) recorrendo a fontes muito pouco informadas e bastante manipuladas.

Acho que nos cabe a nós (os velhinhos) repor um pouco a verdade.

Mas voltemos (por uns instantes aos anos 60/70 do século passado). Um pouco por todo o mundo assistia-se a um combate aceso entre os nacionalistas e os comunistas.

Os soviéticos nunca (mas mesmo nunca) deixaram de ter em vista o facto de as únicas pessoas que lhes poderiam fazer frente (com armas e vontades iguais) eram os nacionalistas. Os patetas alegres ou tristes da democracia não os incomodavam por aí além. Quem não se recorda da expressão "better red than dead" que poluía os ambientes europeus dos anos 60 (e exarcebado com a guerra do Vietnam). Mas este assunto não cabe (em espaço) neste postal.

Todos aqueles que passaram por organizações militantes revolucionárias de direita ou de esquerda sabem de experiência própria que muitas vezes(mas mesmo muitas) eram utilizados (ou melhor dizendo manipulados) por serviços ditos secretos de diversas potências mundiais. Aliás essa organizações existiam para fazer (de outro modo) coisas que legalmente os governos não poderiam fazer. A história dessas situações é longa e conhecida. A inocência e voluntarismo desses militantes era muitas vezes aproveitada pelos serviços para alcançarem os fins que pretendiam (e gastando muito pouco dinheiro). A rede gládio é um exemplo. A utilização de um Lobo Cinzento para "fazer" o Papa João Paulo II é outro. Mas também poderíamos falar de Portugal (talvez um dia...).

Adiante. Em Portugal existia uma organização - a Voz do Ocidente - que difundia radiofonicamente através da Emissora Nacional a propaganda externa do Governo de Portugal. Por ela passaram grandes (enormes) vultos do pensamento europeu. Lembro-me, sem qualquer tipo de seriação, de Jacques Ploncard d'Assac, Henri Massis, Umberto Mazzoti e tantos e tantos outros. Com ela colaborava também o muito nosso Luís Fernandes.

Com a guerra do Ultramar no seu auge (e face à propaganda massiva da esquerda europeia)surge nos gabinetes do Quelhas a ideia de criar uma agência de informação que difundisse as notícias junto das centenas de publicações nacionalistas europeias. É em Setembro de 1966 que é criada a Aginter Press. (agência noticiosa). A sua sede era em Lisboa na zona da Lapa, na casa do Comandante Valentin, oficial petainista que buscou rfúgio em Portugal e que cedeu gratuitamente as instalações.

Pois boas contas faz o preto ... Logo muita gente viu as possibilidades dessa agência (que creditava nacional e internacionalmente jornalistas - disfarce muito usado em operações "discretas") e resolveu aproveitá-la (também) para outros fins.

Havia também um homem providencial em Portugal. Antigo quadro da OAS francesa, especilista em guerra de guerrilhas e clandestinidade e que formou nessas suas competências alguns militantes NR portugueses (essa especialização foi vital - uns anos depois - na luta contra a implantação de um estado comunista em Portugal). Além de mais (e não nos esqueçamos) havia uma solidariedade bem significativa e não bem organizada da comunidade nacionalista à escala internacional. Essa solidariedade estendia-se pela Europa, América Latina e mesmo Ásia. Também para ser uma organizador colectivo (no sentido das palavras de Lenine) a Aginter Press serviu. Existia na altura a WACL (Liga Mundial anti-comunista) que também tinha esse papel mas cheirava muito a americano...

Existia em Portugal a chamada "PIDE/DGS" cujas funções para além das mais conhecidas desempenhava funções de espionagem e contra espionagem (e operações encobertas, é claro) viu as potencialidades da AGINTER para todas essas actividades. Também a usou e de que maneira. Algumas das mais bem sucedidas infiltrações da nossa espionagem nos nossos inimigos africanos foram gizados na Aginter Press.

É isto (grosso modo) o que se pode dizer da Aginter. Nunca foi uma organização de mercenários ou coisa parecida. Muito da melhor gente que havia na Europa e América Latina por lá passou.

Os arquivos da Aginter foram dos primeiros a cair com o 25. Houve diversas tentativas de os neutralizar, mas desde os primeiros dias do golpe que a referida casa estava vigiada à espera de quem lá fosse. Só que os vigilantes eram (mesmo) muito pouco sabidos.

E não confundamos uma organização deste teor com as pretensas organizações de Skorzeny, Odessas e outras a que a propaganda do sistema recorria sempre que precisava.

Sobre o assunto e tanto quanto me recordo pode procurar-se nas hemerotecas um artigo publicado no Expresso (algures por Maio/junho de 1974) que relatava a vida desta agência e publicava alguns documentos apreendidos (por exemplo a ficha do Luís Fernandes) e falava também da importância da Dra Maria da Paz Barros Santos (outra grande combatente nacionalista muito, mas mesmo muito pouco conhecida)

domingo, julho 29, 2007

A minha passagem pelo MPP - 2

Chegamos pois à reunião dos Olivais contava pelo Dr. António da Cruz Rodrigues.

Fui a essa reunião acompanhado por uma jovem militante nacionalista Maria J. Só os dois e não com outra pessoa conforme relata ACR. Esse terceiro elemento e que tantos dores de cabeça deu a tanta e tanta gente apareceu depois (por sua iniciativa?). Conhecia-nos bem aos dois "jovens" e conhecia alguns dos membros presentes do Vector por já ter estado nos diversos cursos de Fátima.

Avisei lealmente ACR que colocava a mão no fogo por Maria J.(sic). Se ele não percebeu o resto não tenho culpa.

E quem era a nossa menina? Era uma militante da por mim chamada "terceira grande vaga" de recrutamentos dos movimentos nacionalistas desde os anos 60. Foi recrutada pelo Luís Fernandes para o seu Movimento Vanguardista. Participou nos cursos organizados em Sintra, Troia, etc.

Aluna de Belas Artes a sua forma de vestir e comportar era muito própria dos das Belas Artes e pouco normal na Lisboa (na época) muito conservadora. Filha e sobrinha de grandes vultos culturais da nossa gente, militava com empenho e alma.

Namorava com um militante da "primeira vaga" o E.(com quem veio a casar-se) que se encontrava em Moçambique. Maria J. tinha-me em grande estima e na ausência de Luís Fernandes (a acabar a comissão em Moçambique) acabou por se encostar politicamente a mim. E se eu ia para o MPP ela também ia. Ponto final. Aliás Maria J. também tinha colaborado comigo e outros camaradas no projecto "Unidade" que desenvolvemos em Moçambique em 1972/73 (e que tão essencial foi no 7 de Setembro, conforme revelarei na altura apropriada.

Neste postal só falarei de Maria J. (aliás ACR nunca a critica na história que conta no seu blogue). Dedicou-se a 100% ao MPP, e até ao famoso cartaz deu tudo o que tinha pela causa. Aliás o dinheiro necessário à execução do referido cartaz surgiu resultante de um donativo do Banco Espírito Santo. Para esse dinheiro sair legalmente do Banco foi feita uma livrança (num valor de largas centenas de contos). Essa livrança foi emitida em nome da Maria J.

Disso não fala ACR. E porquê? Porque depois da nacionalização os novos banqueiros vieram exigir as massitas à desgraçada da Maria J, visto a livrança ser em seu nome. De nada valeu ela ter contado a história. Foi tudo para Tribunal. E ACR não mexeu uma palha (ao que sei).

É, pois esta injustiça face à Maria J. que eu quero corrigir na história "oficial" do MPP.

É verdade também que eu pouco (muito pouco) militei no MPP - tinha coisas mais importantes a fazer. É verdade também que Maria J. vendo a minha "apatia" se "agarrou" politicamente ao outro personagem de que ACR nos fala.

Quando surgiu o cartaz aí a Maria J. afinou e afinou mesmo. Que horror. Que disparate, etc. Todo o seu empenho caiu como um castelo de cartas. O "outro" bem a entusiasmou, mas nada. Por isso não é de espantar que quando da reunião de Agosto em que ACR força a demissão dele, Maria J. tenha aproveitado para sair (não por solidariedade como CR julga, mas por descrença no movimento).

Quanto à nossa menina estamos falados. Em postal posterior falarei do "outro", o "mau da fita" - quem deu cabo da cabeça a muita, muita gente.

sábado, julho 28, 2007

Os Mestres Cantores ou os mestres pintores?



O impensável aconteceu. Sob os fortes aplausos da nomenclatura (Durão Barroso e Angela Merkel) e os apupos ensurdecedores do público presente e que pagou os seus bilhetes, realizou-se na Baviera a 96ª edição do Festival Wagneriano de Bayreuth.
Katharina Wagner descendente (degenerada?) do Compositor "encenou"???? os Mestres Cantores de Nuremberga, a obra mais "nacionalista" de Wagner. As palavras de Hans Sachs no final da ópera "a arte preserva a nação no momento do perigo" foram repetidas vezes sem conta nos anos de 1943/44 em Bayreuth até os Aliados terem decidido acabar com Bayreuth, bombardeando de propósito o Teatro ( e depois venham-me falar da superioridade moral e cultural deles, que eu rio-me à gargalhada).

Bem da "encenação" feita pela bisneta de Richard consta de uma tentativa de reescrever a ópera. Desde a destruição em palco das estátuas de grandes vultos da Cultura Alemã (Bach, Dürer, Goethe, Schiller e do próprio Richard Wagner) até enormes mãos com o terceiro dedo erguido e o 2º e 4º recolhidos há de tudo. Os "mestres cantores" passaram a "mestres pintores". Os figurinos "modernos" com eles e elas meios "abichanados" em calções de licra e com gestos adamados,e, um "deboche" de pintura e nudez do segundo acto fizeram parte da nova "versão". Ou seja no templo de Wagner - Bayreuth - reinou o diabo.

Pobre de mim que critiquei Pinamonti pelos assassinatos de Wagner em S. Carlos. Pelo que se passou em Bayreuth só me apetece dizer, volta Pinamonti, estás perdoado!

É claro que "o deles" Durão Barroso aplaudiu. Outra coisa não seria de esperar!

Os democráticos ... e o Jud Süss


A Cinemateca de Lisboa tinha programado para o mês de Junho a exibição deste filme. Normal. A Cinemateca tem apresentado todo o tipo de filmes que fizeram história. Desde o Couraçado Pontenkin, ao Triunfo da Vontade, tudo tem lá sido exibido. Sem dramas nem contestação.

Sim mas agora os alemães (Ministério dos Negócios "dos" Estrangeiros)proibiram a exibição do filme em Portugal por ser anti-semita.

Ou seja e dito de uma forma mais comezinha. Uma Cinemateca quis exibir um filme e não conseguiu. A Alemanha não quis e proibiu.
Ou seja Liberdade 0 - democracia 1.
Ganhou quem comprou o árbitro!

Nota: o filme foi substituído nessa sessão pelo filme italiano "7 Dias de Glória", do Instituto Lucce, sobre a visita de Hitler a Mussolini. Ou seja uma boa estalada de luva branca!

Apostilha

Desde ontem que tenho sido bombardeado com perguntas. Quem era o Delfim? Que raio de tão secreto te encarregou o Rodrigo Emílio de fazer? ...

Bom é melhor responder senão o mail fica cheio.

O Delfim era um "camisa velha", de seu nome Delfim Fuentes Mendes. Antigo Jovem Portugal continuou sempre fiel na linha da frente onde sempre, mas sempre esteve. Depois deste episódio que contei e logo que soube que o MAP avançava não teve qualquer dúvida e aí passou a militar.
Com o 28 de Setembro teve de ir para o exílio (Madrid) onde comeu o pão que o diabo amassou. Soube-o a dormir nas escadas do Metro de Madrid (local mais quente em Madrid em dias de rigoroso inverno) repartindo com outros camaradas que aí se acolhiam para dormir os parcos alimentos conseguidos. Tudo num comunitarismo total.
Não tendo meios de subsistência teve de ir para o Brasil onde sei refez a sua vida.
A partir dos anos 80 deixei de saber fosse o que fosse a seu respeito.

Aliás sobre exílios (e os mais jovens nem sequer imaginam o que seja) recomendo a todos a leitura do "Rameau Vert" de Saint-Paulien. Nesse livro se fala do desespero dos exilados e das guerrinhas inter pares. Claro que falamos dos exilados franceses sobreviventes da Charlemagne em Espanha. Leiam e depois perceberão melhor.

Bom, ponto 1 arrumado.

Ponto 2: Não há nada de secreto. Apenas me encarregou de tratar uns assuntos com uns militares (que não os do mfa) e procurar uns apoios para uma futura e possível rede clandestina.

Nada de especial. Aliás eu de mim, neste blogue, quero falar muito pouco. O que fiz ou deixei de fazer francamente não tem interesse nenhum. O mais importante para mim é cumprir um dever de memória em relação à actuação do Rodrigo Emílio. Já o disse e repito. O papel de RE como revolucionário e militante é muito esquecido (até por ele que nunca o referia - achava que tinha apenas feito o que de si se esperava). Mas os mais jovens tem a obrigação de saber que ele foi muito (mas mesmo muito) mais que um Polemista, um Poeta, um Pensador. É só por isso que eu conto certas coisas.

Por exemplo: quantos de vocês sabiam que Rodrigo Emílio foi um dos fundadores do ELP e membro dos seus primeiros corpos dirigentes?

Que contes muitos... Bos



e nos encantes ainda mais.

Nota: o resto do bolo (que era grande) comemo-lo nós, os teus admiradores.

Ficas com este cantinho e já gozas. Mas também para um "hospitalizado" não está mal

sexta-feira, julho 27, 2007

Os tachos dos puros berloquistas



A imaginação ao poder? Não !!!!

O tacho ao poder !!!!

Depois da escandaleira dos 11 assessores do Zé berloquista na Câmara Municipal de Lisboa (sem nenhum pelouro atribuído!) veio hoje a público que o grupo par(a)lamentar dos "caviar chique" e tétés similares tem 26 assessores na AR, mais dois que o PC e mais 4 que o CDS.

Pior, pior são os do partido melancia (verdes por fora e vermelhos por dentro). Com 2 deputados (eleitos pela CDU) o PEV tem 12 assessores!

Enfim "PORTUGAL NO SEU MELHOR"

O pipi das botas altas,

ou o
Herói de Massamá, na fabulosa visão de Amândio César

O HERÓI DE MASSAMÁ

para o Rodrigo Emílio,
que ficou longe, na Ibéria



Desembainhou o pingalim
o palhaço que na arena, em que escudar-se,
agitava um escudo de plástico
que aureolava uma órbita vazia...

Há tanto tempo, já, que o não fazia!
Um novo golpe, fácil e fantástico,
mal lhe dera tempo pra fardar-se,
e apertar o cinturão e o talim! ...

Saiu à praça, negro de medroso:
raiava um novo dia,
a uma nova luz,
a nova esperança:
ser o herói desta aleluia
sem passar pelo martírio da cruz
onde a turbamulta com o seu ódio
alcança ...

Saiu à rua e sonhou de novo:
herói de monóculo, os dedos no talim,
botões luzentes, bota alta envernizada,
uma boa escolta, bem motorizada,
e nas mãos, histórico, o pingalim!

O ar entrou de rompante no seu peito
mal dando tempo a ajeitar o cinturão:
- Sou general, sou um centurião,
esta Torre e Espada veio a tempo e a preceito!

Com o canhão da manga limpou o nevoeiro
que embaciava a venera veneranda:
- Eu sou o redentor, o carisma verdadeiro,
hei-de, outra vez, arengar às turbas, da varanda
daquele Palácio de onde me correram
apaisando como cão rafeiro...

Bota alta e espora niquelada
camuflado ou com boné de pala,
à paisana, o castão prateado da bengala,
ninguém meu garbo, minha arrogância iguala!

Olhou as horas: estava em atraso o espectáculo
que lhe tinham preparado uma outra vez:
ignorava como era ou quem o fez,
apenas lhe importava o tabernáculo...

A ampulheta do tempo esfumava-se em areia
e sem jeitos a vitória prometida:
se cavalo já comera toda a aveia
e aguardava o selim e mais a brida.

E ele ali, a esperança enraivecida
enquanto o tempo sôfrego corria ...
E ele ali: a cidade vivia mais um dia.
Lá ao longe o Tejo para o mar fugia...

E nada. Nada de vitória
enquanto nervoso, apartava o boldrié:
três vezes colocou o dourado boné
aguardando a decisão inglória.

Mais uma hora e outra; ... e era o fim.
Seu falhado sonho de aventura era fantástico:
sobrava, apenas, um monóculo de plástico
e um mole e embainhado pingalim!

S. Paulo 11 III 1975
Amândio César
(do livro País em Fuga, ed A RUA, 1977)

Um videirinho...



Jesús Polanco, principal capitalista "vermelho" de Espanha morreu.

Como relata a anedota espanhola "O País (jornal El País) chora e a Pátria rejubila"

Também era dono da TVI.

O principl aliado do Zapatero lá pelas terras de Espanha. O grande manipulador, segundo rezam as crónicas.

Mas nem sempre foi assim. 1972. Aqui junto da nata da nata do franquismo (com quem então se relaccionava antes de se converter): Jesús Murillo Rubiera, director o Instituto de Estudos Políticos da Falange, a irmã de Manuel Fraga Iribarne, casada com Carlos Robles Piquer, que também aparece na foto e Ministro da Educação de Franco.

As nossas tropas, topas?



Ou "isto agora não é tropa, é quanto muito uma troupe" (RE)

Ou ainda

9 elementos da Força Aérea Portuguesa para colocar uma lâmpada.

Juro que não é a anedota dos alentejanos!

A minha passagem pelo MPP - 1

No postal anterior coloquei o "famoso cartaz" que o Dr. António Cruz Rodrigues tanto gabou na sua história do MPP.

E prometi que contaria hoje algumas coisas sobre o assunto. É isso que pretendo fazer.

Comecemos pelo princípio.

Os nacionalistas acompanhavam com grande atenção as movimentações dos militares pré - 25. Informação não faltava. Muito sabíamos e estudávamos todas as hipóteses que se colocavam em cima da mesa. Logo o 25 não foi para nós qualquer surpresa. A deriva marxista também não. Estávamos perfeitamente conscientes do que se iria passar e quais as consequências daqueles disparates que se estavam a passar.

Nos primeiros dias de Maio 74 após aquela conversa no Principe Real (com Rodrigo Emílio) que já relatei em postal anterior, foi decidido que eu assumiria umas determinadas funções e competências dentro da causa nacional. Para isso era essencial que eu mantivesse o chamada "baixo perfil". Não poderia desaparecer de todo (o que era muito pouco credível) mas deveria estar ligado a algumas organização "inócua" (no sentido revolucionário do termo) que me fizesse parecer um descrente, um medroso, etc. Ou seja um indivíduo sem ponta de perigo para os mfa.

A ajuda para a decisão surgiu da parte da "primeira infiltração" do sector mais radical dos tropozoários nas nossas fileiras. Dois, três dias depois do 25.

A referida "Mata Hari da treta" era uma espécie de Carolina Salgado da época. A mesma profissão inicial e tudo. Tinha tido um relacionamento muito sério (para ela) com um camarada muito valoroso e valioso. Foi sua companheira durante uns anos. Por isso a conheci bem. Mas Lisboa é um "penico". Tudo se sabe. Por volta dos anos 72/73 o referido camarada colocou ponto final na relação. Foi um fim de festa muito conflituoso. O perigo é que ela sabia muito, sabia de mais, quanto a mim. Lá a aturei umas vezes com queixas muito fortes do seu ex. Passados uns tempos (já em janeiro/fevereiro de 74) e numa visita a uma messe militar quem é que eu vejo: a "nossa amiga" bem enrolada com um oficial da marinha (dos do piorio). Ela não me viu. Soube na altura que os dois estavam numa relação bem activa. Muitos dos danos a nós causados (nomeadamente a queda da Aginter Press) no pós 25 a ela se devem (não tenho a menor dúvida).

Num dos primeiros dias em que estávamos a reorganizar-nos aparece a boa da pequena. Muitos beijinhos. Disponibilidade total para colaborar connosco contra os comunas, etc. Lembro-me bem. Estava junto de mim o Delfim (que também sabia da história). Logo vi ali uma oportunidade de ouro. Disse-lhe logo que eu não queria fazer nada, que aderia à nova situação, só combate ideológico e combate esse muito democrático, que já tinha perdido as veleidades da juventude, etc. Tudo isto era também confirmado pelo Delfim. Ela bem insistiu, disse saber onde estavam armas, e nós uma vez mais "horrorizados" com isso dissemos que não queríamos ter nada a ver com isso. Que o melhor era deitar tudo isso ao rio, etc... Caiu que nem uma patinha. (E não só... fomos tão convincentes que dois outros camaradas que nos escutaram lançaram logo a notícia que quer eu quer o Delfim tinhamos rachado...). Peguntei-lhe então se sabia de alguém que tivesse um projecto mais "de diálogo", mais "democrático", menos "conflituoso" que os federalistas que começavam a dar os primeiros passos. Logo ali me disse que o Dr. Cruz Rodrigues estava a movimentar-se, e que ele era o tipo de pessoa que se encaixava nos meus desígnios. Agradeci-lhe profusamente e nunca mais a vi. Ficou a espiar os da spinolagem. Deve ter pensado que eu não constituía qualquer perigo, que era mais um cobarde convertido, como tantos foram.

Daí o meu aparecimento na reunião dos Olivais que ACR descreve. (segue...)

quinta-feira, julho 26, 2007

Para a história do prec no prato



Cartaz do Movimento Popular Português (do Dr. Cruz Rodrigues) afixado em vários pontos do País antes do 28 de Setembro de 1974.

Falo deste Movimento porque quero relatar factos deste período e responder a uma "história" do MPP publicada pelo Dr. ACR no seu blogue.

Como é óbvio eu nunca, mas mesmo nunca, poderia sequer colar ou segurar num tal cartaz.

Mas a história é complexa e tem de ser muito bem contada. E eu vou contar o que posso e devo.

quarta-feira, julho 25, 2007

Relembrando Alfredo Pimenta


"Chamaram por mim? Pois bem, aqui estou e como sempre de cara descoberta!"

Esta frase define um Homem.

É a posição que distingue um meteco dum Cidadão.

Que todos nós a possamos cumprir!

Jantar de cabeças - ou a revolta de Jean Anouilh



"Em França jantam-se cabeças" frase amarga de Jean Anouilh na sua peça "Pauvre Bitos".
Ano 1956.
O grande dramaturgo descrevia nessa peça a hipocrisia das "moralidades" políticas post libertação, bem como a arte de destruir os seus inimigos ou meros adversários em jantares elegantes.
Subjacente, mas bem visível estava uma crítica à "Epuration" francesa.
Lá está toda a semelhança entre o terror da revolução francesa e o terror da libertação de 44 a 55.
Bitos, um procurador da república janta com os amigos. É um jantar de cabeças, de cabeças dos grandes revolucionários. Bitos será Robespierre.
É a oportunidade de Anouilh dizer tudo o que pensa dos "depuradores do final da 2ª GM".
O homem que tentou impedir o assassinato de Brasillach vinga-se aqui de De Gaulle e dos seus fans...

Um Rei fraco não pode ser um bom Rei



Charlotte Corday dixit.
E provou ser uma mulher de armas.
Sozinha conseguiu vingar os seus mortos, tirando a vida ao déspota Marat. Ano 1793. Dia 13 de Julho. Em pleno terror republicano em Paris.
"Para libertar a França de um Monstro".
Pouco tempo antes de subir à guilhotina (dia 17 de Julho - aquilo na época era muito rápido) escreveu a uma Amiga uma carta que terminava de uma forma assaz clara numa mensagem que nos pode servir - hoje em dia - a todos nós:

"Quando não se pode viver no presente, temos de nos refugiar no passado e buscar no Ideal da Vida tudo o que falta à sua realidade".

Chenier morreu por ela. O seu crime ter-lhe dedicado uma Ode poética. Os bons democratas são assim.

Lá vamos, cantando e rindo ...

Pergunta de algibeira:

Será que o Dr. José Miguel Júdice também fez "casting" na NBP para apoiar o Costa? E a Zézinha? E a mana que é a mulher do Presidente da CIP? E etc...

terça-feira, julho 24, 2007

Relembrando Joaquim Paço d' Arcos


25 de Abril de 1974

Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
à terra inteira (Ó esfera armilar. Que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos de sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora...
Duzentos capitães destes de agora, (Pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é dever de soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos e mestiços (Milagre português da nossa raça)
Ao extremínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de e scravos
Enterrado num caixão d'apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d' ignomínia...
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!

10 de Junho de 1975 (antigamente Dia da Raça)
Joaquim Paço d' Arcos