
Manuel Alegre, o vate, o “poeta alegre”, anda agora a ameaçar tudo e todos (especialmente os bloguistas) com cadeia (“quem colocar em causa, vai para a cadeia”) (sic).
Nem é preciso julgamento, nem instrução de processo, nem juízes e muito menos advogados de defesa, segundo parece. Nem há possibilidades de pena suspensa. Cadeia. (noticia hoje o Público, pela pena de Luciano Alvarez - pág. 21). Parece o “remake” do filme de terror ”prec e pós-prec”. Deve estar-lhes no sangue!
Razão. O indivíduo diz não ser desertor da Guerra. E apresenta papéis.
Aliás já na sessão da Gulbenkian de 3 de Maio o vate da nossa esquerda catita e caviariana já se tinha abespinhado com o tema. Naquele dia teve azar. Como interlocutor estava um distinto Oficial das Forças Armadas que não lhe deu tréguas.
Agora resolveu explodir e passar ao ataque. Finalmente vai à luta. Até que enfim que se arrisca um pouco (através dos Juízes, é certo), para alem das palavras. Cadeia com eles, já! Se calhar o indivíduo adora meter (ou ver metidos) na cadeia aqueles que não pensam como ele. Pode ser que seja genético da esquerda, sei lá...
Mas analisemos parte da vida e obra do campeão da liberdadezinha. Do “a mim ninguém me cala”.
Vejamos. O sr. Alegre foi até Angola como Alf. Mil. Inf. Depois foi detido por razões que não explica na totalidade. Volta para a Metrópole em 1964. E resolve exilar-se de Portugal passando a fronteira por Chaves. (já agora refira-se a propósito, porque a nota não o revela, que ele sai de uma quinta propriedade da “discreta” família Montalvão Machado muito ligada à oposição laica e republicana e que fica junto da raia). Grau de dificuldade do salto zero.
Vai então para a Argélia. País – como todos sabemos – das mais amplas liberdades. Pátria da ética republicana. Partidos políticos eram mais do que muitos. Pluralismo na imprensa era mato. Liberdade de opinião e de expressão aos montes (diria mesmo aos montículos). Presos políticos nanja (isso só os fascistas é que tem ...). Fuzilamentos e assassinatos, foram detalhes da luta pelos direitos humanos, nada mais do que isso. Detalhezinhos, para que é que estão a falar disso. Coisinhas que acontecem ...
Ou seja saiu de um “regime de opressão” e foi para um paraíso totalmente livre. Ali sim é que um homem se sente bem. Ca ganda país. Depois aceita um trabalhinho como locutor de uma estação pública de radiodifusão (quem pagava? Eram os democratas portugueses? Ou era um pais estrangeiro? Não esclarece.) Aí foi debitando para o éter aquilo que debitou e que fica para a sua história. Aguente-se ... Os antigos Combatentes não esquecerão! E quer ser o Comandante Chefe ...
Depois do 25 do 4 volta para o que se transformou “neste pais”. Pacto mfa / partidos (só as esquerdas podem existir neste pais da liberdade) . Tudo bem. As cadeias cheias de presos políticos, ainda melhor, sevícias e torturas sobre os presos políticos, que se lixe.
Todos nós esperávamos que o vate fosse para outro pais de amplas liberdades clamar contra essas infâmias. Mas não, não foi. Nem cá, nem lá. Calou-se. (e logo a si que ninguém o cala). E olhe sr vate, houve indivíduos do seu lado (por exemplo Jaime Gama) que não se calaram (poucos, muito poucos, é certo).
Ou seja como é que foi possível dar lições de democracia e de liberdade contra o “regime de opressão e de falta de liberdade” (que para si era o Estado Novo) pactuando com um regime de opressão e de falta de liberdade? Por hipocrisia? Ou porque dava jeito? Ou ... ou ... ou.... Os meus caros leitores têm liberdade de escolha.
E já agora sr vate: se me quiser meter na cadeia declaro que estou pronto. Aliás eu estou mesmo a precisar de descansar um pouco, dormir mais. Se calhar fazia-me bem. E a si presumo que ainda faria melhor. Ou seja, deve ser bem bom para si ver mais um opositor seu dar com os costados na pildra. Feitios...
Apostilha: Como agora está na moda o simplex o melhor é mandar-me uma guia de marcha (via mail) para eu me apresentar em Caxias. Assim poupa-se umas massas ao ”estado a que isto chegou” e a mim, que já nem preciso de contratar advogado. Sou culpado de não descortinar o seu génio e de não colocar num pedestal a sua arreigada ética (republicana – não nos esqueçamos do adjectivo). Logo só mereço cadeia!