quinta-feira, janeiro 15, 2009

Ao princípio era o MAL

Diria mesmo o mal absoluto.

Falamos de Salazar, da ditadura, é claro!

Mas depois, ah! ah! veio a liberdade, a democracia, os direitos do homem, da mulher, dos LGTB, o patati – patatá, a Luz, as Luzes, os Holofotes, as Lanternas, os Candeeiros, os Petromaxes, enfim a parafernália toda.

Falamos do 25 do 4, é claro. E eis que começa o conto de fadas…

Por obra e graça de todos os santinhos do altar democrático – os santos Otelo, Cunhal, Soares, mais os “200”, “o povo unido” etc. – o país desenvolveu-se automaticamente. Toda a gente recita Dante ao pequeno almoço. (lasciate ogni speranza voi …) ouve-se cantarolar as crianças às mesas do leite matinal. Kant e também Hegel são discutidos e compreendidos por todos. Ouve-se nos recantos de becos e vielas o povo discutir as virtudes cromáticas de Klimt, o surrealismo de Cesariny, o papel de António Pedro nesse movimento, ou seja o Fado, Futebol e Fátima ficaram enterrados para sempre! E mais, o “país” (como “eles” fazem questão de dizer quando se referem a Portugal) recuperou a sua grandeza no concerto das Nações!

Ou seja, como alguém diria: “Os portugueses seriam os mais erectos da Europa” e arredores, acrescento eu,

Mas as realidades vieram demonstrar o contrário das belas previsões totobolísticas (na altura não havia ainda o euromilhões) dos de abril. Para além de terem ajudado a destruir o tecido empresarial que existia não souberam – ou quiseram – desenhar qualquer planificação estratégica para fomentar o desenvolvimento. O único que fizeram foi entrar no comboio da Europa, de qualquer forma ou maneira. Para impedir – para todo o sempre - o perigo de “aventuras militares” (Soares dixit) semelhantes à que os tinha colocado no poleiro. Descobriram os “novos brasis” de onde vinha a cornucópia cheia de “papel” que nos iria sustentar para todo o sempre.

E quem não aceitava este belo cenário era imediata e totalmente ostracizado, e lançado no mais vil óprobio possível em que toda a carga negativa seria associada aos anátemas de “fascista”, “salazarista”, “anti-social”, “associação de malfeitores”, “neo-nazi”, conforme fosse conveniente (naquele momento) alcunhar os “desalinhados”.

Aliás é evidente que para haver “heróis” (os do mês quatro) tem de se procurar algo que todos os herois requerem: os vilões, os maus da fita.

E quem são os vilões? Pois evidentemente todos aqueles que não dizem “amen” à Europa dos interesses. São perigosos “nacionalistas”, querem atrasar o desenvolvimento do “país” provocado pela nossa entrada na CEE. Quiçá querem de novo a ditadura.

Por existir o vilão existe medo nas potenciais vítimas do presumível vilão

Ou seja “chantagem” permanente, apoiada poderosamente nos meios de comunicação social (já repararam que os escribas lá desses locais se copiam uns aos outros, sem qualquer capacidade de inovação ou questionamento das verdades oficiais) bem como numa mensagem totalitária de demonização do “outro” de constante comparação com o “o tempo da velha senhora”, para dessa forma não resolver qualquer problema e para nos auto condicionar para vivermos numa situação de semi-escravos.

É necessário, pois, fomentar – sempre, permanentemente – este medo latente do vilão, para que as pessoas se sintam gratas ad aeternum aos magnificos herois. Ou seja quem não for lá do clube dos herois (ou aquele que não comprar o Kit de Sócio) fica com a “culpa” que é feita sentir a todos aqueles que não se juntam a eles para lutar contra os vilões.

Precisam dessa predisposição latente nas pessoas para existirem e parecerem alternativas. Este “jogo” de culpas e de jogar com as culpas, foi feito quer pela “esquerda”, quer pela “direita” políticas.

Ou seja: é necessária esta culpa de tamanho gigante (ou king size, como agora é mister dizer) e estes “inimigos úteis”.

O que leva à seguinte questão: “eles” acreditarão mesmo na democracia?

APOSTILHA: este postal foi escrito a pensar num comentário de um estimado anónimo (colocado neste blogue) e que do alto da sua sapiência abrilina me veio esmagar (diria mesmo arrasar) com informações que ele tem, fruto dos seus estudos profundos nas magníficas escolas que frequentrou. O facto de não ter percebido o que eu pretendia dizer nesse postal sobre o ouro dos cofres do Banco de Portugal nem sequer é relevante. Pode ser fruto da minha incapacidade de expor o meu pensamento. Mas todas as ocasiões são boas para demonstrar a sua admiração pelos anti-fascistas face ao perigo (enorme, piramidal, mirabolante, fulminante) que advém dos “maus da fita”, os “vilões” nazi-nipo-fascistas, admiradores do ditador,e patati-patatá.

Também é uma mensagem de amizade a um bom candidato às Eleições europeias que se avizinham. Mesmo com ideias e princípios não vai lá. “Eles” não vão deixar. No entanto não deixarei (modestamente) de o apoiar.

2 comentários:

Miguel disse...

Grande…É mesmo assim!... Para esta canalha que fede a Abril dos Cravas.

Vítor Ramalho disse...

Obrigadaf por se juntar à rede que apoia a candidatura.