sábado, janeiro 10, 2009

Resposta a um anónimo


"E porquê só merecem consideração as crianças mortas neste conflito?
E todas as outras que morrem e morreram em conflitos presentes e passados
E as que já morreram em Israel?"
Pergunta um estimado leitor do meu postal de 3 de Janeiro, "Ano novo, vida velha"

Pois meu caro leitor, aqui estou eu para lhe tentar explicar as razões da minha posição.

Antes de tudo o mais esclareço que não aceito, não tolero, complica-me com os nervos que homens e mulheres armados de armas (algumas delas terríveis) se dediquem ao notável esforço de matar crianças sejam elas quais forem. Atirem para cima de homens armados (combatentes como vós). Dêem e levem tiros. Isto é a guerra. Visão idílica dirão. Não racional e inteligente. (até porque os familiares dos mortos serão os novos combatentes de amanhã...)

Quem fez já a guerra sabe que as principais vítimas de uma contenda são sempre os civis. Compete aos quadros que "comandam" militares (e aqui comandam não se resume a dar uns gritos e umas ordens mais ou menos tecnicamente correctos) criar e manter um enquadramento e formação dos seus subordinados que iniba disparates ou vítimas inocentes. Qualquer comandante em TO sabe do que estou a falar.

A imagem (terrível para mim) de umas crianças judias (neste caso)a mandarem mensagens de ódio para as crianças palestinianas que vão levar com as bombas que as "criancinhas" amavelmente assinam, sob o ar complacente dos professores que as acompanham e dos militares que dentro em breve as vão disparar dos seus 155, é mais reveladora do que mil palavras que eu possa dizer.

A cultura do ódio é feita (nos dois lados - e não só do lado árabe) desde a mais tenra idade.

Outros - os mais "atlantistas" (eufemismo, em politicamente correcto, para definir os pró americano/judaicos) dirão do alto da sua enorme sabedoria: Pois as crianças morrem porque os terroristas (jargão atlantista para os árabes ocupados) se misturam com a população civil, logo também eles a transformam em alvo. (não há cão ou gato - jornalista, comentador, etc que não utilize este argumento). Só os palestinianos é que seriam capazes disso. Que desprezo pelas vidas do seu próprio povo (sic e resic).

Trata-se de uma argumento que reulta apenas para aqueles que pouco ou nada pensam, ou pouco ou nada sabem da história. Alguns acumulam...

Relembremos:

Desde sempre (e penso - para não ir mais longe - nas resistências de diversa índole do século XX - resistance française; partigiani italianos, jugoslavos, sei lá, etc., nos movimentos ditos de libertação em Angola, Moçambique, Guiné, Vietname, Argélia, etc, sem esquecer a OAS ou ainda a resistência portuguesa pós 25 do 4, todas as guerras foram feitas com os combatentes imersos na população. Na sua população, no seu povo! Foi assim que oficiaram os combatentes numa guerra contra as leis oficiais da guerra! Não é pois um exclusivo dos "malandros do HAMAS"! A resposta das forças "legalistas" (signifique isso o que signifique) é que foi diferente da resposta israelita. Por exemplo. Quando o 10º RCP francês travou a batalha de Argel não bombardeou a Casbah. Não, entrou rua a rua, lutando casa a casa, atirando contra os locais de onde era atacado. No caso português não venceu a teoria de um "oficial" de Abril que queria à viva força atirar umas morteiradas de 81 contra aqueles que atacavam e destruiam uma sede do PC numa localidade no centro de Portugal. Porquê? Porque houve outros oficiais (mesmo que fossem de esquerda) que sabiam que iriam causar dezenas ou centenas de vítimas entre civis - homens, mulheres e crianças - que acompanhavam a destruição. Venceu o bom senso, enfim.

Mas a doutrina oficial de Israel, tal como a dos EUA, é a poupança - radical, digo eu - dos seus efectivos. Poucos mortos entre os nossos, mesmo que do lado deles sejam aos milhares.

Sabem de antemão que nunca serão julgados em Tribunal Penal Internacional... Não são sérvios, nem croatas, nem sequer alemães...

É isso que nos diferencia. É contra isto que eu grito. É esta a "cultura" que eu recuso. Quer Israel, quer os EUA tem o direito de defenderem os seus soldados. Mas não à custa da barbárie e da morte aleatória.

Contra as crianças - o futuro - nada deve ser feito. De um lado e do outro. Esta é a minha posição. Para quem tiver um estômago bem forte e não se arrepie com as imagens deixo-vos aqui um link para verem o resultado daquilo que eu disse. Mais uma vez peço às pessoas sugestionáveis ou mais sensíveis, para não abrirem esta página.

2 comentários:

Anónimo disse...

Este blogue precisa de oxigénio. O bloguista terá lepra. Mental. Andar de mota. E siga a marinha com o criador do blogue de baixo da água.
Bye bye maria ivone

p.s
leva um livro de salmos

Tóze, o mergulhador

Réquila disse...

Novidade das Edições Réquila: o LIVRO "Diálogos de Doutrina Anti-Democrática" de António José de Brito.


edicoesrequila.blogspot.com