domingo, dezembro 30, 2007

Com que então um anito?

Pois bem o nosso muito estimado Nonas cumpriu hoje um ano das suas andanças blogoesféricas.

E comprou uma prenda de truz para assinalar esse aniversário. Rabi Jacob, do grande Loius de Funés. Pois que te divirtas.

Mas para o ano quem oferece a prenda sou eu. E vou ver se encontro os filmes do Dom Camillo e do Peppone.

Deixo-vos uma cena quando D. Camillo leva o comunista Peppone a fazer um discurso de defesa da Pátria, contra a linha do "partido" que defendia que nenhum comunista poderia alguma vez levantar as armas contra a pátria dos socialistas - a União Soviética.

De morrer a rir.

Aliás para um esquerdista estes filmes do Fernandel, baseados nos livros de Guareshi, são mesmo pornográficos...



Parabéns e obrigado por tudo que nos tens dado. E, a propósito, que contes muitos.

sábado, dezembro 29, 2007

De joelhos lhe peço, senhor licenciado em engenharia

Por favor não se lembre de fazer em 2008 nenhuma cimeira Portugal - Governo PS.

Veja-se as desgraças que aconteceram nas cimeiras por si organizadas do ano de 2007

Sempre oportuno e sempre atento

O nosso Nonas continua em grande forma. E não deixa passar uma!
Falei, a propósito do aniversário do nosso Goulart, de um famoso número do Agora, sobre a sua responsabilidade, para relembrar alguns artigos que por mim foram considerados "geniais". Sobre os mesmos mantenho o que disse: houve colaboradores com artigos geniais! Outros, enfim... Como tudo na vida.

Graças ao Nonas conseguimos ter acesso em linha a alguns deles (alguns dos melhores). Também o Nonas revelou o nome de alguns que mudaram de camisa. É normal. Veja-se o maravilhoso artigo do Goulart que publiquei na mesma data. A tal carta aos laranjinhas. Vejam como bate certo.

Obrigado Nonas. Prestaste o que hoje se chama um "verdadeiro serviço público". Bem hajas

sábado, dezembro 22, 2007

Obrigado VL



A minha sincera homenagem ao autor deste cartaz. VL no seu (sempre) melhor!

Bem hajas pelo teu Talento e pela tua sempre enorme disponibilidade. E por tudo de bom que nos tens dado ao longo de todos estes anos! Também para ti um especial "Bom Natal e Bom 2008"

Espírito natalício



Como a partir de amanhã estarei indisponível para esta página,(obrigação familiar a isso obriga) aproveito para vos dar esta bela "árvore de natal", que sendo originalmente de raiz pagã se integrou perfeitamente na "tradição natalícia portuguesa". Só que (juro mesmo) não é esta que está em minha casa (mas tenho pena ...)

Não fui só eu, que bom!

Também o estimado Nonas resolveu lembrar o aniversário do Goulart. Como fiquei contente. E logo com uma bela troca de ideias (e belas imagens) entre os nossos (muito nossos) Rodrigo e Goulart. Bem hajas.

"Eles" estão possessos



Uma das desvantagens de não ter televisão é o perfeito desconhecimento de que enfermo no que respeita às "celebridades" da nossa praça. Desconhecia sequer a existência da D. Cristina Areia (cuja foto foi surripiar à google). É uma actriz de teatro e tv, segundo li na wikipedia. Trabalha na TVI em diversos programas. Ou seja é a chamada "figura pública".

Mas porquê falar desta Senhora? Pois simplesmente porque toda a "esquerdalhagem" da nossa praça está possessa com ela.

Mas porquê, perguntarão os meus estimados leitores? Pois simplesmente porque se deslocou à Alfama (ao Centro Cultural Magalhães Lima - belo patrono, sem dúvida...) para uma festa de Natal. Competia-lhe dar prendas de Natal a cerca de cem crianças apoiadas lá pelo Centro. Começou a chamá-las nominalmente e aí deu-se a barraca. pois eram as Iaras, as Hanias, os Bin, os Moacid, as Kenyas, as Regianes, etc. Até que no meio daquilo tudo surgiu uma Ana. (comentário da actriz: Ana, um nome normal, viva a tradição, viva!) e um António: "mais um nome normal! António, Viva Portugal, batam palmas a Portugal!).

O que ela foi fazer. Uma jornalista do Público que assitiu, de nome Bárbara Reis, até queria que a actriz estivesse "consciente de que estaria na prisão se as piadas xenófobas fossem crime" e pergunta-se mesmo se a D. Cristina Areia será uma "xenófoba fundamentalista". Ou seja, vamos a ver quando é que a referida actriz é posta na prateleira. Sim a pergunta tem a ver com o quando, porque o se não tem dúvidas nenhumas. Ou seja, está feita. Mesmo que se desculpe de joelhos. "Eles" quando agarram, não largam...

Sem dúvida nenhuma estamos no "comunismo do século XXI", situação que eu vou tentar explanar detalhadamente num próximo artigo para a "Alameda Digital". Antigamente a esquerda calava as pessoas com a chantagem do "fascista". Hoje mudaram de agulha, a chantagem chama-se "racismo". Sim porque o fascismo (já) não dá grelha, mas o racismo, dá cana e da grossa!!!

Parabéns Goulart Nogueira


Pois é, hoje o muito nosso Florentino Goulart Nogueira cumpre 81 anos. Incapacitado há cerca de 5 anos, vegeta hoje na sua Beira (em Santa Comba) um dos melhores e mais claros espíritos portugueses.

Não quero cometer o crime da ingratidão para com o Mestre de tantas e tantas gerações nacionalistas portuguesas.

Por isso hoje o recordo. Vítima de um saque na minha biblioteca pouca coisa tenho hoje do Goulart. No entanto quero recordá-lo aqui como o Polemista, o Doutrinador, o homem de Teatro, o Poeta, o Militante. Acima de tudo o Homem de Cultura.

Deixo-vos alguns textos que vão desde o período do "Tempo Presente" até ao pós 25 do 4. Também na Poesia deixo-vos dois exemplos da sua Poesia. Diferentes, sim, contrastantes, também, mas revelando muito do espírito do nosso Goulart.

As novas gerações devem (tem a obrigação) conhecê-lo e acima de tudo estudá-lo. Foi Mestre de tantos de nós. Foi o "Mestre" do também muito nosso Rodrigo Emílio. Que continue o Mestre de todos nós.

Não quero deixar de recordar dois factos: um é o da sua direcção do "Agora", que permitiu um dos melhores números de sempre desse Jornal. Refiro-me ao número dedicado ao Fascismo. Genial o seu artigo, genial a organização, geniais os colaboradores (não quero esquecer - de modo algum - o magnífico texto de Caetano Beirão, que revisito - com que prazer - amiudadas vezes). O outro facto é o da sua prisão no pós 25 do 4. Na sede do MAP. A saga do seu transporte para Caxias (comendo a sua enorme agenda - com capa e tudo - para que esse precioso bem não caísse nas mãos dos copcães) e toda a sua brilhante atitude nas masmorras da democracia.

Meu caro Goulart, do fundo do coração, e com toda a Amizade dou-te os meus mais sinceros parabéns, por seres e teres sido como sempre foste.

A Besta Esfolada - Mas que adultíssimas bestas!

A Besta Esfolada», por Goulart Nogueira
Tempo Presente, Agosto de 1959

De um dos nossos colaboradores que escrevem assuntos filosóficos, houve, em diversas ocasiões, quem dissesse: «Argumentação infantil...». O público «snob» e «intelectual» que fez as terças feiras clássicas do Tivoli, que, como gélida corrente, mete observações disparatadas no Centro Nacional de Cultura (ou, se é mulher, profere adoráveis dislates articulados a uma torneada perna cruzada que se balanceia), o público «definitivo» e «informado» de A Brasileira, o público da Bénard, e mais o público atafulhado de folhas «culturais» de cinema, o público «consciente», o público «responsável», o público «parvenu» à cultura e cheio de embófia, o público aldrabão, ou ignorante, ou parvo, ou precipitado, ou venenoso, ou primário, ou cobarde, ou gregário, quer seja público que lê, quer seja multidão que escreve, o público que, sabendo embora algo de alguma coisa, ou até não sabendo nada de nada, desembesta a falar de tudo, mesmo do que não sabe, e a julgar e criticar tudo, mesmo o que não estudou – esse público acha pobre, banal, «infantil» e fraco o nosso colaborador. Esse público há de classificar de igual modo certas argumentações fundamentais de Zenão de Elea, de Platão, de Hegel, de Gentile. Porque esse público, à semelhança das beatas diluindo se sob o vaporizador de pregadores barrocos ou delicodoces, admira somente os palavrões científicos, o raciocínio obscuro, o rapto lírico, a solene gravidade, a acrobacia de circo, a retórica balofa e ardorosa, a sensação, o discurso, o sentimentalismo, a complicação intelectual, a pirueta humorística. Ao tal público sempre lhe repugnou – que horror! – a simplicidade, a razão, a evidência, o equacionamento básico das questões. Mas quando tudo se entrança, apenas com palavras como «problemática», «fenomenológico», «super estrutura», «ambiguidade», «existentivo», ou quando, de olhos em alvo, se valsa, ao ritmo de «liberdade» e «dignidade humana» – ah! então, sim, os severos senhores, as damas, as meninas namoradas, os católicos progressivos, os cineclubistas, os rabiscadores de jornais, os «surrealistas» de pacotilha, os «monárquicos» do Chiado, os «nacionalistas» «históricos», os leitores dos «Poètes d’aujourd’hui», os que não falham às estreias, os idólatras de Brecht ou de Becket ou de Ionesco, são percorridos por um murmúrio de admiração «formidável», o pescoço descai lhes um bocadinho para a banda, fazem boquinha pregueada e confirmante («Isto sim!»), chegam a ter delírios de admiração e gritos selvagens de aplauso àqueles crisóstomos. Mas que adultíssimas bestas!

Exercitem a inteligência! Combinado?

«Pelo amor de Deus, senhores! Um pequeno esforço!
Às vezes, não apetece comer, mas quem se entregar ao fastio, e não comer nada, acontece-lhe como ao burro do inglês... e morre.
Às vezes é preciso fazer ginástica ou qualquer exercício para não emperrar, para desenvolver a resistência, para defender de amolecimentos e franzinices e banhas...
Pelo amor de Deus, senhores! Não deixem o cérebro ficar lisinho como triste massa espalmada! Não deixem ficar a cabeça oca!
Pelo amor de Deus! Lembrem-se de que o Criador lhes doou uma inteligência para pensar, reflectir, assimilar e enriquecer!
Fora com a preguiça mental! Fora com a pressa! Demorem um bocadinho: e apliquem-se! Leiam aquelas coisas que talvez lhe custem, mas são boas e necessárias! Cultivem-se, doutrinem-se, aprendam as razões da vossa fé para não acontecer que um dia acabem outros por atraídos e levá-la ao engano, pois ela se invertebrou em simples boa-fé...
«Nem só de pão vive o homem», senhores! O homem não vive só para as questões do dia-a-dia, para os problemas concretos, para as coisas da vidinha.
Só lhes interessa o caso imediato? A História pessoal? O escândalo guloso? O que lhes toca mesmo pela porta? A pílula fácil de engolir? O bom-bom que se derrete sem mastigar?
Oh! Oh! Meus senhores, que vergonha! Querer, apenas, assuntos de encher o olho, mas que se lêem com o rabo do olho, ao subir para o eléctrico ou ao dobrar a esquina! Qualquer dia acabam a ler só histórias aos quadradinhos ou anedotas!
Correis ao chamativo! Como o touro, vejam lá, que marra no vermelho, cor muito viva! Com esse apetite de deslizar sem incómodo, com essa procura de fácil vida, ficais tão parecidos com as mulheres de vida fácil...
Respeitem-se mais um bocadinho! Os senhores valem bem um esforço de concentração e aplicação. Leiam também o difícil, leiam um ou outro artigo longo, leiam a doutrina. Iremos perder o gosto da leitura? Acabaremos por reduzir-nos a público de cartazes ou de bombas jornalísticas?
Demorem-se na doutrina! Leiam, releiam, estudem, comentem-na e discutem-na com os amigos! Ainda lhes tomam o gosto, verão! É como a cerveja: começa por ser amarga, mas depois...
As direitas não são estúpidas, não podem ser estúpidas! Ser umas bestas ou bestificar-nos contradiz a dignidade humana para que fomos feitos.
Pelo amor de Deus, senhores! Ao menos, uma hora por semana, exercitem a inteligência! Combinado?»

Goulart Nogueira, in Agora – n.º 340, pág. 12, 20.01.1968.

PARA OS NACIONALISTAS COR-DE-LARANJA, COM AMOR

Eles argumentam com a mudança dos tempos, com o realismo de situações diferentes, com outras mentalidades e necessidades (...) O mundo já não é o mesmo, dizem eles, o nosso País já não é o mesmo. As pessoas têm outro crer e outro querer. Os costumes, os comportamentos, as modas, o estilo, o ambiente alteraram-se. Há que acertar o passo, há que nos adaptarmos, há que abandonar o que a gente de hoje nega, o que os donos do mundo e da inteligência e do sentimento condenam, o que o dilúvio do pós-guerra submergiu. Uma outra era nasceu, desde o material ao espírito, desde a técnica às consciências, desde a religião à Política.
Eles, os práticos e realistas, os que enterram o passado a mil metros do chão incorrupto, despem a alma com a mesma facilidade com que tiram os sapatos, enchendo o ar com a pestilência dos pés e da sua vidinha. Eles namoram a opinião pública e trapaceiam-na, babujam os tornozelos do povo e sujam-no, idolatram o Homem e demitem-no e envenenam-no. Eles não têm fé, nunca tiveram fé, limitaram-se, a todas as horas e sempre, a papaguear as palavras e as ideias que estavam ou estão na moda, vanguardistas, da cauda, epígonos-saguís. Debitam palavras e ideias que convenham ao adaptacionismo nojento, as boas como as más, as verdadeiras como as falsas; com os mesmos gestos e tons entusiásticos ou graves, ardorosos ou sensatos. Os espertalhões. Os palhaços.
(...) Os modernaços! Trinam a Democracia e o Liberalismo, negam os Mestres e a Ideia antiga, renegam o baptismo que receberam. Ou pretendem conspurcá-los em conúbios monstruosos. Falsários e mendazes, calcam, com a botarra ou a pantufa, os símbolos, os signos e os ideais que, noutro tempo, veneraram e ergueram como bandeira luminosa.
Velharias... Mas a Democracia e o Liberalismo não são velhos? Não estiveram expulsos e desacreditados já? O Comunismo e o Anarquismo são mais recentes do que a Nova Ideia que deu asas aos estados e aos povos no segundo quartel do século XX!
(...) «Para trás não se volta», murmuram-nos, gritam-nos eles, insistentes e arrotando sabedoria. Tecnocratas ou ideólogos da adaptação democractóide e liberalóide, sabotadores do Regime em construção, trânsfugas da Verdade e da Fé, habilidosos saloios, querem destruir-nos o fundamento e abandalhar a alma. Dizemos-lhes que não.

Goulart Nogueira

Ganimedes

Cordeiro de alvorada, em seu cabelo,
Adormecido, nítido, encostado
À testa de montanha lisa e gelo.

O gelo se desfaz, de manso, em neve
No mar do rosto, com corais na face,
Corais na boca entreaberta e leve,

E tomba, em gotículas de orvalho,
Nos ombros torneados e brilhantes,
Qual folha nova a despontar do galho.

Nos olhos, e esperando um prado extenso,
Duas gazelas líquidas e azuis
Fingem o acenar branco dum lenço.

Um lenço, pelo corpo a desfolhar-se
Em rosas-chá, em mármore e em quentura,
No púbis, nuvem de oiro, vai dobrar-se.
Aquela juventude ainda é pura.

Quem tem a manhã na fronte
E relâmpagos na mão imperial,
Que tem na boca límpida uma fonte
E dois robles no porte de imortal,

Com sua imagem de águia à terra desce
E rouba o pastor grácil que adolesce.

Pastor humano, hoje é pastor divino.
Loiro,
Loiro e belo rapaz maravilhoso,
Elbelto como um hino,
Tão pleno como um arco impetuoso,
Em suas mãos de Via-Láctea
Serve aos deuses a Vida e o alimento,
Licor de luz e de rubis doirados.

E as suas mãos de Via-Láctea
São o perfume e o vento
Do seu corpo de valados.

Paisagem branda ao sol nascente,
Um olhar dele o representa.
É sempre belo e adolescente:
Aos próprios deuses alimenta.

E porque tem, como a cereja,
Formas alegres e completas,
Tal como Zeus lhe quer e o beija,
Amam-no todos os Poetas.

Távola Redonda, LÍRICAS PORTUGUESAS, PORTUGÁLIA EDITORA, 3ª SÉRIE, PAG. 453

Meu Deus Senhor, por onde se começa?

Meu Deus! Só quando renunciar ao mundo
Abarcarei o mundo.

Sei isto e outras coisas mais
Que me dizem dos sítios onde vais.
Sei isto e os compêndios de escolar
Que dizem o caminho para Te achar.
Sei isto, e a intelegência mostra que é.
Só não sei o gosto ao amor. Só não sei a força à fé.

Meu Deus Senhor! Renunciar ao mundo…
Nada querer para Te querer a Ti.
Nesta empresa me gasto e me confundo,
Mas moras muito alto ou muito fundo
Que sinto o mundo e nunca Te senti.

Ó dono dos exércitos – vencido!,
Inerte, quando a terra me conquista!
Só me falas nas coisas escondido…
E eu nas coisas me perco, ó som perdido,
Ó eco enganador, ó falsa pista!

Meu Senhor que encontrei na inteligência
E explicando o insucesso dos meus passos,
Que conheci, de nome, nos regaços
De Mãe, Tias e Avó, com negligência!,
Senhor intemporal que não tens pressa,
Que envenenas os sítios onde beijo,
Que me afogas de dor no que desejo,
- Meu Deus Senhor, por onde se começa?

[Revista Tempo Presente, nº 26]

sexta-feira, dezembro 21, 2007

O gasta milhões ...



O bom do presidente da câmara de lisboa (que continua sem pagar a quem deve) decidiu atribuir um subsídio(zinho) de 80 mil contos ao tal do lisboa-dakar, rally que é conhecido no mundo inteiro por "Dakar", sem qualquer referência à capital deste belo reino dos reinadios que se divertem à conta dos papalvos...

Roubei a foto inserida neste postal ao wehavekaosinthegarden.blogspot.com. Mas ao menos, eu assumo!

Apostilha: Sabiam que a "santa Casa da Misericórdia de Lisboa" (?) atribui um patrocínio de um milhão de contos a esta brincadeira... E eu a pensar que as receitas do jogo eram para os desamparados e deficientes. Eu que devo ser deficiente mental para acreditar nas histórias da carochinha...

Natalis Solis Invictus


Começa hoje o renascimento do Sol.

A Igreja Católica fez coincidir esta data sagrada com o nascimento de Jesus da Nazaré.

A pensar no Nazareno e no Portugal de hoje, aqui vai um excerto de um Poema de Couto Viana, do seu livro de 1977 (Nado Nada). Este Poema é dedicado a Manuel Maria Múrias

(…)
Não nasças! Nada temos que te dar:
Mirrada a mirra, o oiro gasto
E o incenso apenas a incensar
O ladrão que roubou o rebanho e o pasto.
(...)

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Aleluia! Afinal "ele" nao se calou!!!

Ficam os meus estimados leitores avisados que o BOS afinal não se calou.

Voltou e (fiquem vocências sabendo) deixou-me bem contente.

Voltem a visitar diariamente o rapaz que só têem a ganhar.

Bem Vindo, e espero que para ficar, meu caro Bruno

O lupanar das meretrizes e sodomitas


Não quero deixar de reproduzir (na íntegra) a opinião do "bloguista" Critico Musical sobre a encenação do Rigoletto no Teatro de São Carlos, em Lisboa.

"A encenação do Rigoletto em Lisboa

Serei rápido, já escrevi sobre as partes musicais, mas o Rigoletto de Lisboa no Teatro Nacional de S. Carlos foi péssimo em todos os sentidos, debruço-me aqui sobre a encenação. Como já foi quase tudo dito e não gosto de perder muito tempo com lixo fica aqui um curto apontamento que encerra a crítica a este Rigoletto. Uma crítica em folhetins...
Um choque gratuito e sem sentido

Numa encenação paupérrima de Emilio Sagi, o duque de Mântua viu o seu palácio transformado em bordel, com meretrizes e drag queens de perna ao léu. Uma leitura rasca da obra original de Victor Hugo, Le Roi S’Amuse, sem subtileza, sem perceber que o sentido da obra é uma maldição sobre o velho bobo, a maldição da deformidade, da pobreza, da injustiça e da doença e um devir trágico que culmina na morte de Gilda, filha do bobo, e também ela vítima das maquinações da impossível vendetta do velho contra o poderoso duque no meio de uma sociedade cruel de poderosos. Uma leitura que apenas banaliza e não subverte. Hoje em dia apenas corre o risco de chocar pela aberrante estupidez e não pelas raparigas de tranca gorda e pelos rapazes de perna escanzelada e peluda em cima do palco. Sagi ensaia aqui uma pose espanhola à Almodovar de pacotilha com o seu cortejo de cromos, mas as coisas só têm sentido se se enquadram na obra e Almodovar há só um...

Pelo meio temos cenas de incesto, algo profundamente idiota face ao libreto original, entre o assassino contratado por Rigoletto, Sparafucile e sua irmã, Maddalena, que estando apaixonada pelo duque não encontra nada mais interessante para fazer do que dar uma trancada com o irmão, algo que nem sequer consegue enquadrar-se numa estratégia de domínio do irmão, pela gratuidade da cena em termos teatrais e pela forma tonta da representação, pior do que amadora.

Entretanto o dispositivo cénico, com um palanque torto em cima do palco, retira espaço dramático para as personagens evoluirem, os quartos de motel nas traseiras e lados contribuem para banalizar o discurso e fazem deste Rigoletto uma espécie de bordel, um bordel onde habita Gilda, onde habita o duque. A plataforma em palco tapa a visão que Rigoletto não tem do que aconteceu à filha, no entanto ele arrepela-se e grita que a raptaram... o libreto na partitura tem escrito que ele entra no pátio e na casa e aparece transtornado. Nesta encenação o bobo adivinha que, do outro lado da plataforma, o quarto do motel está vazio!...

Monterone faz a sua segunda entrada e dirige-se a um retrato dos duques, isto segundo o libreto original, nesta encenação não há retrato, logo o sentido das frases torna-se oco, incomprensível para quem não conheça a ópera. Parece um lamento alucinado de um velho gagá aos gritos, e Luís Rodrigues não esteve aqui muito subtil. Eu creio que a ausência do retrato dos duques (ele e ela) foi propositada mas também foi um erro de incompetência dramaturgica.

As seis badaladas da meia noite, inacreditável se não tivesse ouvido duas vezes o mesmo erro. Terá sido obra do encenador ou da incompetência do maestro? Fica a dúvida, mas se foi propositado é aberrante e totalmente contrário ao sentido do texto e da obra.

A plataforma em palco distrai, complica, destrói o fluxo dramático, as suas montagens e desmontagens, ruidosas e demoradas são mais um incómodo a juntar a toda a terrível seca de escutar esta coisa tocada a uma lentidão exasperante.

Numa ânsia de chocar por chocar sem ter em conta a dramaturgia Sagi destruiu completamente a lógica textual da obra. A encenação tinha sido originalmente desenhada para Bilbau e foi a coreógrafa e assistente de Sagi, Nuria Castejón, que ensaiou os actores-cantores em Lisboa. O resultado foi um desastre total, se a coreografia foi banal e sem ideias no bailado inicial das prostituas e "maricons", a direcção de actores foi canhestra e amadora.

A iluminação foi banal e ineficaz, sem jogos de matizes, sombras e cores, esteve num plano cinzento e incompetente. Por vezes os cantores deixavam de se ver, o que aliás até foi agradável atendento às suas péssimas qualidades cénicas. Se calhar o melhor era ter-se poupado nas luzes e ter feito tudo às escuras...

Os figurinos não me entusiasmaram, numa encenação que se pretendia "intemporal" (entrevista da assistente do encenador) foram demasiado de época dentro do estilo cliché operático.

A definição dos personagens foi linear, unidimensional, um tenor fátuo sem capacidades cénicas fez um duque que apenas é uma caricatura, sem refinamento, sem dúvidas (que existem), um vaidoso exibicionista, Gilda é a desgraçadinha que anda por ali e Rigoletto não tem sentido dramático ou trágico. A cena da morte de Gilda é vergonhosa em termos de encenação. Todo o mundo esbraceja e berra à boca de cena, mas de teatro não se vê nada.

Um desastre anunciado pela demissão do competente director do S. Carlos, Paolo Pinamonti, e a sua substituição por este desconhecido: Christoph Dammann. De qualquer modo existe nesta encenação uma quota parte de culpa da parte de Pinamonti, foi do seu tempo esta co-produção o que não quer dizer que sob a sua direcção este Rigoletto fosse tão mau; é que, entretanto, todo o casting foi escolha do actual director artístico, um grande "artista" sim senhor. A Gilda vocalmente anémica Schill, o maestro anedota, o barítono rouco e com falta de ar à beira da reforma, o tenor pimpão aos berros. Um segundo elenco que faz sofrer a jovem portuguesa Carla Caramujo nos meandros de uma produção miserável e é tudo. Não tenho paciência para mais."

Concordo plenamente com esta crítica. Se eu tivesse sido capaz teria gostado muito de ser o autor desta peça. Como não fui transcrevo-a, na íntegra. Bem haja Sr. Crítico Musical.

Volta Pinamonti, que estás perdoado...

442 anos !!! Também tenho a alma da cor da tinta-da-china


Pois é faz hoje anos (oito anos) que abandonámos a última parcela de Portugal de Além-Mar.

Relembro esta data com 3 Poemas de dois Poetas Maiores: Rodrigo Emílio e Couto Viana.

O grito pungente de Rodrigo Emílio e o lirismo sofrido e sofredor de Couto Viana.

Optei por colocar o Poema do Rodrigo tal como ele o fez, com um registo gráfico impressionante, fazendo lembrar os poetas futuristas que ele tanto amou. Cliquem nas imagens para lerem na totalidade este Poema inédito do Rodrigo, que ele fez questão de distribuir pelos mais próximos.

Relembremos esses 442 anos em que a nossa Pátria se integrou na mítica China.

Já de Macau me despeço para sempre e nunca mais ...


AQUELA MORTE NAQUELE DIA

AQUELA MORTE NAQUELE DIA
Para o Beckert d`Assumpção, descendente do Barão d`Assumpção, que mandou edificar o Farol da Guia, o primeiro das costas da China.

Os castelos e as quinas começam a sangrar.
Macau, em lágrimas, comove.
Vai engoli-la o céu? Vai naufragá-la o mar?
A névoa esconde a cor das bandeiras no ar.
Chove.

Paira o fantasma de uma igreja. Um sino
Põe-se, lento, a dobrar, moribundo e pesado.
Nenhum Natal acode. A estrela do destino
Não anuncia o Nascimento do Menino,
Mas o Nome de Deus crucificado.

Só cemitérios, cinzas, sombras vagas…
“Não suspireis. Não respireis.” (Alguém murmura?)
Escorrem solidão as faces e as chagas.
A nau-espectro afunda-se nas vagas.
Apagou-se o farol. É noite escura.

O poeta rasgou o alvor da epopeia.
Dela, aqui, não restará lembrança…
O heróico ritmar de uma túmida veia
Extinguiu-se na vaza da pátria agora alheia:
Já não pode rimar futuro com esperança.

Cinco séculos quase a existir Portugal,
Macau, em sangue e lágrimas, desfalece e comove.
Mão assassina assina, na pedra sepulcral,
Um nome ateu, traidor, sobre a data final:
Aos 20 de Dezembro. Ano 99!

António Manuel Couto Viana

O NAUFRÁGIO DE MACAU

O NAUFRÁGIO DE MACAU

Para a Teresa Bernardino

A derradeira nau,
Partindo o leme e o velame roto,
Naufragou em Macau,
Por traição do piloto.

E fora a mais leal:
Em quatro séculos hasteara à ré
O pavilhão de Portugal,
Para glória do Império e defensão da Fé.

E era santo dos santos o seu nome,
Mas erguia na gávea o demo de vigia
Que sem um renegar que o vença e dome
A faz varar na vaza desta maré vazia.

Tripulou-a Camões
Que ali lembrou, previu: — Dos Portugueses,
Com seus profanos corações,
Houve traidores algumas vezes.

Tripulou-a Pessanha,
Murmurando entre névoas de ópio e olvido,
Como quem num queixume e presente desdenha:
“Eu vi a luz em um país perdido.”

Da última da Armada
Que em novos mares buscou cada porto ignorado;
Da jamais apresada,
Tendo ao pirata vil o fuzil apontado,
Hoje como não resta nada
Mais do que o pranto da História e a raiva do meu brado:

— Quem impede o traidor de morrer enforcado?

António Manuel Couto Viana

Drieu e o papel do Intelectual


"É papel do intelectual, pelo menos de alguns deles, de se elevar para além do acontecimento, tentar e arriscar as suas "chances", tentar os caminhos da História. Azar se se enganam no momento. De qualquer forma asseguraram uma missão necessária, a de estar para além das massas. Á frente, atrás, ao lado, pouco importa; mas estar noutro lado. Os amanhãs não são feitos de outra coisa do que se viu nos dias de hoje."
Drieu. Péroraison . 1945

Abel Bonnard

"Não se cultiva uma planta começando por arrancá-la. Não se educa uma criança no caminho do que ela pode vir a ser, senão começando por amá-la no que ela é, por nos interessarmos pela sua pessoa, para a melhor ligar aos tesouros que lhe pertencem, sem que ela sequer saiba da sua existência. Numa grande Nação ninguém nasce sem uma grande herança"

terça-feira, dezembro 18, 2007

ich habe ein kameraden

O revisionista francês Jean-Louis Berger morreu na passada semana, em Moselle. Tinha junto de si a mulher Jacqueline e os seus filhos. As cerimónias religiosas tiveram lugar na Igreja de Philipsbourg, na Mosela, dia 15 de Dezembro.

Jean- Louis Berger era Professor liceal de História e membro da Frente Nacional. Devido às suas opiniões revisionistas e ao abrigo da lei gayot foi condenado a 10 meses de prisão e consequente expulsão do ensino e de todos os seus meios de subsistência.

Recentemente, no número triplo (30-31-32) do “Sans Concession do VHO, de Bruxelas, Berger tinha publicado as suas memórias do processo que lhe foi instaurado, com as gravosas consequências profissionais e judiciárias. O artigo intitulado “Um homem honesto afastado da Educação (Manipulação) Nacional, e começava pelas seguintes palavras:

“Amigos leitores, o que vão ler não é uma ficção, mas sim uma aventura vivida... Não achava importante a vaidade de ter participado, também eu, na grande aventura da nossa época: o revisionismo. Mas hoje sinto a necessidade imperiosa de testemunhar a verdade face a todos os falsos testemunhos, a necessidade de fazer um exorcismo de todo o mal que me fizeram e de tudo digerir para poder restabelecer a minha mente e o meu espírito".

Descanse em paz!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Notícias da “república dos tratantes” – 3

Vocês, por acaso, repararam que no tratante lisboeta qualquer membro pode ser “suspenso”??? caso a sua população inteligentemente vote num partido que não siga os ditames “mundialistas”?

Ou seja casos como o da Áustria, do senhor Haider, nunca mais se poderão passar na Europa. Eram logo suspensos (cartão amarelo na gíria futebolista). E logo depois está mesmo prevista a amostragem do cartão vermelho – rua!

E viva a pluralidade, e viva a liberdade, e viva a careca do noivo, digo eu...

Notícias da “república dos tratantes” – 2

Segundo o governo boliviano os embaixadores dos países da ue poderiam servir de intermediários entre o governo local e as quatro províncias com ideias autonomistas.

Só quero recordar que a última vez que a ue fez uma intervenção do género foi na Sérvia, declarando alto e bom som, com empenho de palavra de honra e tudo, de que garantiam a integridade do Estado Sérvio, e para finalmente tudo ceder aos américas e aos independentistas.

Notícias da “república dos tratantes” - 1

Depois da (oficialmente ainda não) consumada traição da ue aos europeus da Sérvia, no que se refere ao Kosovo, começam os sinais de desagregação da nossa Europa.

Agora é o senhor Daniel Ducarne, antigo presidente do Partido Liberal Francófono belga a sugerir, ou melhor diria, a propor a criação de uma “Bélgica Francesa”, funcionando em associação com a França. Diz o tal do sistema:

Desde o alargamento a 27 que a ue reforçou a presença dos estados grandes que serão os decisores de amanhã. Seria pois irresponsável não aproveitar a ocasião. Seria também irresponsável crer que é possível assumir os nossos próprios destinos (da Bélgica francesa) num quadro politico tal como ele se nos apresenta”.

Ou seja, em português mais simples, a ue tem tudo a ganhar com a eclosão dos movimentos regionalistas ou mesmo locais. Semeiam ventos, ...

Atenção Falcão!!!

E tutti quanti das SOS racismos

Então não é que em Israel se está a preparar uma lei anti racista para impedir os judeus de praticarem actos de anti-semitismo????

Pois esse senhores (semitas ao que parece) fazem actos anti-semitas (também ao que parece). Não perceberam. Eu também não, deixem lá. O que sei é que os judeus ultra-ortodoxos são vítimas de descriminação por parte de judeus oriundos da antiga união soviética, também os judeus falachas da Etiópia são vítimas de actos racistas, e (já agora) também os árabes que ficaram na sua terra são alvos de ataques racistas. Cada vez mais confusos? Eu também. Não me digam que a culpa é dos skin heads ... Ou se calhar do senhor Mário Machado ...

Para perceberem melhor leiam a notícia do Fígaro do dia 14 de Dezembro, assinada por Patrick Saint-Paul , correspondente naquele país do periódico francês.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Depois de (mais uma) profanação dos Jerónimos

Non possumus!

Somos uma pequena Pátria, é certo, mas vale tanto como qualquer outra e merece, acima de tudo, a nossa total Fidelidade.

E se os nossos podem – talvez - não saber exactamente o que querem, pelo menos todos “nós” sabemos o que não queremos.

Diante dos nossos olhos ergue-se algo que não queremos mesmo ser ou sequer vivenciar.

Todos cedem? Que lhes faça bom proveito. A grande máquina da intolerância universal não nos ganhará!

Continuemos a lutar, a nossa Fidelidade será um dia recompensada.

Corações ao alto e avante

Apostilha: Relendo as “Orientações” de Julius Evola:

“Em todas as circunstâncias o que tiver de ser feito sê-lo-á, e nós pertencemos a essa Pátria que nenhum inimigo poderá jamais ocupar ou destruir”.

Orientações - Friedrich Nietzsche

« A beleza de uma raça, de uma família, de um povo, a sua graça, a sua perfeição em todos os seus gestos é adquirida com dificuldade: ela é como o génio o resultado de um trabalho acumulado ao longo de gerações. »

Friedrich Nietzsche. O crepúsculo dos ídolos. 1888

quinta-feira, dezembro 13, 2007

A Europa (uma vez mais) claudicou!


Ou o que é que se está a a passar no Kosovo?

Vamos por partes: para dar uma imagem simplificada vamos imaginar o nosso Minho. Onde tudo (Portugal) começou. Passa entretanto a haver uma fortíssima emigração de magrebinos (por exemplo) para as terras de entre douro e minho. Passados uns largos anos os magrebinos já são maioritários. Querem a independência e a sua ligação ao Marrocos. Vão a votos e ganham (claro). Vem os americas e dizem muito bem, vem a UE e diz talvez. Não temos Rússia que nos salve. Vem a ONU e diz crie-se o Estado Muçulmano do Minho e nós que nos lixemos.

Grosso modo é o que se está a passar no Kosovo.

Mas porquê esta obstinação dos américas na criação de um estado mulçulmano (e etnicamente não-europeu) no seio da Europa (com inscrição aceite a priori na ue dos nossos tratantes). Este é o principal motivo desta nossa reflexão.

Será para desestabilizar a Europa impedindo-a de ter uma unidade cultural? Será para destruir para sempre a possibilidade de um eixo Paris - Berlim - Moscovo, único capaz de enfrentar a política hegemónica atlantista?

E eu que não sou adepto das teorias da conspiração acredito sinceramente neste cenário.

Alguns analistas ficaram surpreendidos com a dimensão da vitória de Putin. Nanja eu, que a julgava ainda maior. Sim porque lá ainda não anda tudo a toque de caixa de Washington.

Há quem diga. Vamos ver a atitude da ue e depois falamos. Pois eu afirmo que os eurocratas e federastas europeus já decidiram. Vão apoiar decididamente a posição americana. A França, que historicamente se oporia hoje está nas mãos de Sarkozy... logo nada fará. Teremos a prova definitiva de que estamos às ordens dos EUA e que não queremos uma Europa cultural e verdadeiramente unida, preferindo um grupo de albaneses e muçulmanos ao nosso lado em vez de uma Sérvia que é cultural, etnica e historicamente Europa. Somos um país de Amados, enfim ...

Conseguiram!

Pois é os "nossos queridos democratas" conseguiram. Queriam acabar com o PNR e vão conseguir. Arrastam atrás dele outros (quase todos os pequenos, menos os verdes tipo melancia, vai uma apostinha?) mas a paz vai ser restabelecida, agora que há tantas nuvens negras no horizonte.

Infelizmente eu tinha razão quando (em Setúbal) disse a Le Pen que não valia a pena fazer nenhum Partido em Portugal porque "eles" tinham a faca e o queijo na mão. Ou através da lei celerada ou através de medidas da própria lei dos partidos. Se se chateassem e vissem algum perigo, era rápido e indolor. E mais, ninguém protestava. Na altura fui acusado de pessimista. Como vêem eu tinha carradas de razão. Lembras-te meu caro ...?

Mas outras formas de participação deverão ser postas em cima da mesa. Mais ou menos clandestinas, se não houver outra solução, é claro. Mas disso já nós temos bastante experiência, digo eu ...

Marchar, Marchar !


Alguns não sabem que a estrofe do Hino Nacional (Marcha patriótica surgida na altura do vergonhoso Ultimatum, com que fomos brindados pelos nossos queridos bifes) em que se diz "contra os canhões, marchar, marchar" originalmente era dito, "contra os bretões (de britânicos, entenda-se), Marchar, Marchar!

Pois hoje deveremos passar a dizer "Contra os Federastras, marchar, marchar"

quarta-feira, dezembro 12, 2007

"La solita" rebaldaria

Ou em português: a rebaldaria do costume...

Soubemos hoje pelos jornais que os do Tribunal da Relação de Lisboa acham muito bem que se continue a escutar os telefones de tudo e de todos. Veio agora - sem dúvida, em douto relato - informar o povoléu "deste país" que mesmo que os políticos queiram colocar algum freio às escutas não vão conseguir. Sim, porque quem manda são eles. Em poucas palavras explique-se que o "buraco" encontrado na lei é o seguinte: o "intermediário" (que face à lei pode ser escutado) será "todo aquele que, pela sua proximidade com o arguido ou suspeito, seja por razões de ordem familiar, pessoal ou amizade, ou quaisquer outras que o levem ao contacto entre ambos , ainda que ocasional ou forçado, se prefigure como potencial interlocutor". Ou seja em língua de pessoas normais: TODOS podemos ser escutados!!!

E ainda ontem lá um dos da judite falando da guerra de Chicago (perdão Porto) se indignava porque com o novo Código lhes era mais difícil investigar. Com assim, se continuam a poder escutar tudo e sempre que o desejarem.

Que saudades dos ignominiosos dias da pide em que apenas se escutavam cinco telefones em simultâneo.

E já agora porque é que a nossa estimada polícia em vez de andar a ouvir telefonemas não volta a trabalhar à antiga portuguesa (antes das novas tecnologias). Lembro-me que a taxa de sucesso era bastante grande. Só que na altura a PJ tinha polícias hoje tem doutores ...

terça-feira, dezembro 11, 2007

Tradição, Continuidade, Reconstrução


Desde os anos 80 do passado século que tenho vindo a acompanhar (com grande interesse) todo o movimento cultural russo que se pode consubstanciar nas palavras do título deste postal.

Surgido de forma surpreendente (ou talvez não) ainda em período soviético, este movimento que começou nas escolas superiores de Belas Artes foi-se desenvolvendo de forma radical pelas outras universidades. A qualidade dos pintores, escultores, arquitectos, músicos, poetas (principalmente), escritores, etc. foi para todos nós - no ocidente - uma verdadeira e agradável surpresa. A grande quantidade tinha de criar a qualidade. Hoje contam-se às centenas - só para falarmos de pintura - os magníficos executantes da Pátria de Ivan.

Hoje apenas vos trago dois ou três exemplos da arte pictórica de Boris Olshansky (todas já do século XXI). Este assunto não pode ser para morrer. Tem de ter a análise política que merece. Cá chegamos nós à velha máxima do Rodrigo Emílio: "o combate cultural precede sempre o combate político, e depois aocmpanha-o". Foi uma máxima de uma Vida. Como sempre ele tinha razão.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

E por falar em monumentos funerários



Pois é coloquei o postal anterior e logo outra memória veio ter comigo.

Trata-se da profanação do campa sepulcral de Edouard Drumont no Pere Lachaise (em Maio de 2006). Nessa altura, por decreto municipal do Senhor Bertrand Delanoe, edil de Paris, foi decido retira da campa o epitáfio "ao autor imortal da França Judia", por motivos de ordem pública!!!

E cá prendem os tipos que destroem monumentos funerários...


O monumento à memória dos doze franceses da Divisão Charlemagne fuzilados (sem qualquer julgamento) no dia 8 de Maio de 1945 (a guerra já tinha acabado) em Bad-Reichenhall na Baviera, segundo ordens do general e futuro Marechal Leclerc, foi demolido e arrasado pelas autoridades regionais de Landrat. Este monumento foi erigido no local do crime, na clareira de Kuglebach, por iniciativa da associação de antigos combatentes alemães. Na altura houve todas as autorizações para erigirem o monumento.


Mas agora as coisas mudaram em França. E obedientemente as autoridades bávaras dos "direitinhas" da CSU decidiram acabar com o monumento para não ser local de "manifestações políticas da extrema-direita".

Fonte: RIVAROL n°2832 de 9 de Novembro 2007

terça-feira, dezembro 04, 2007

Estão a gozar connosco

Tudo o que é imprensa “deste país” e das “democracias neo-liberais” deste mundo afinaram (e de que maneira) com a vitória de Putin, seguido do Partido Liberal Democrático (principal força de oposição nacional da Rússia) nas eleições da Duma.

Bem, para estes senhoritos, Putin é acusado de não dar rádios e televisões às forças opositoras. É também acusado de não permitir que os pequenos partidos tenham lugar no parlamento, visto ser necessário ter 7% de votos para lá entrar. È ainda acusado de meter na cadeia e julgar os opositores. E se calhar muito mais malfeitorias...

Vamos ver. Em França a Frente Nacional tem 14% dos votos e não elege nenhum candidato. Le Pen já muitas vezes foi posto em tribunal pelas suas opiniões e foi já impedido de se candidatar. Nem uma das estações de rádio ou televisão pertence à FN. Mas lá as eleições são justas. Na Rússia não são! Ou então sou eu que continuo burro e não consigo entender as coisas.

Numa altura em que a Rússia (última reserva dos “índios europeus”) se verifica o renascimento da afirmação nacional e do orgulho russo os “colaboracionistas mundialistas ” vão aos arames. Temem que a Europa perceba que a união com uma Rússia forte e com tradições vivas possa contribuir para o fim da sua hegemonia.

Nota: falei da França, mas poderia falar da Áustria, da Noruega, da Dinamarca, da Alemanha, da Bélgica ou dos EUA. Ou ainda de Portugal... (ou será que cá não há presos por delito de opinião?) Fica para mais tarde.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

A culpa é do aquecimento global

Vem o senhor Robert Gates, secretário da defesa dos americanos informar-nos que estão estacionado na Europa cerca de 40.000 soldados do tio sam.

No tempo do pacto de Varsóvia havia um exército soviético à porta das fronteiras europeias. Mas acabou a guerra fria. Logo os soldados só cá podem estar por causa do aquecimento global...

sexta-feira, novembro 30, 2007

Ando seco

Como já devem ter reparado o esforço profissional que tenho feito neste último mês (principalmente) tem-me deixado exangue de espírito e de vontade. Necessito urgentemente de colocar as ideias no sítio. Este fim de semana vou ver se descanso. Estou a precisar de férias (urgentemente). Há dois anos que não as gozo. Estou a chegar ao limite.

Tudo estas queixas tem a ver com a fraca (fraquíssima) contribuição minha para este espaço. Tanto há que falar e eu mudo e quedo. Assim não: ou acabo de vez ou recupero. Até lá vou colocando pequenas coisas para me convencer de que faço alguma coisa.

Pois aqui vai mais uma. Uma imagem vale mais do que mil palavras. Este é o caso.

O Embaixador até foi "diplomata"

Deu para aí uma grande celeuma a "boca" do embaixador americano em Portugal sobre o "nosso" abandono da missão militar no Afeganistão.

Que tinha sido um bruto, etc... dizem os nossos meios diplomáticos.

Pois eu sei que não. Ele até foi muito diplomático. Como podem ver de seguida foi esta a reacção do bush à informação que recebeu sobre que os "nossos" governantes se preparavam para "bazar" lá do reino da papoila.

quinta-feira, novembro 29, 2007

O Céline da Banda Desenhada


No passado dia 16 o Público publicou um artigo de Carlos Pessoa com a “descoberta da pólvora”. Nada mais nada menos de que o famosos autor de Banda Desenhada André Daix, autor da série Professor Nimbus, se tinha refugiado em Portugal em 1948, após a “libertação” de França, e, mais, que tinha continuado a exercer a sua profissão em Portugal.

No tal artigo o autor diz que tal facto era completamente desconhecido de todos. De todos não. Só daqueles que andavam distraídos.

André Daix, de seu verdadeiro nome André Delachenal veio para Portugal nos finais dos anos 40. Refugiado politico fugiu a uma condenação à morte (em ausência) e que depois foi comutada para 20 anos de prisão. O seu crime: ter continuado a sua actividade como desenhador gráfico, sendo autor de uma série de cartazes anti-semitas, anti-capitalistas, anti-americanos e favoráveis ao PPF. Aliás a sua admiração por Doriot era de todos bem conhecida

Veio para Portugal e a certa altura foi morar para a Estrada de Benfica (muito perto da casa de António de Séves). Cultivava a amizade de diversos refugiados políticos franceses e de uma série de intelectuais portugueses. Com o nome de Maniez assinou diversas histórias em revistas especializadas de BD juvenil em Portugal. Isto até os anos 70. Ainda me lembro das suas aventuras no “Cavaleiro Andante”. Colabora também no Jornal do Exército e chega a fazer caricaturas para o “Agora”.

Conheci-o em casa do Comandante Valentin (velho “petainista”) , na Lapa, onde funcionava a Aginter Press. Nunca escondeu o seu verdadeiro nome, apesar do passaporte de que era detentor ser em nome do tal Maniez.

Depois do 25 do 4 resolve (tal como tantos e tantos refugiados políticos franceses) regressar à mãe Pátria, escapando ao prec e previsíveis perseguições.

Recordo o seu lendário sorriso, o porte altivo e sempre impecavelmente vestido, simples no contacto com as vendedoras do supermercado com quem acamaradava, visto detestar a estupidez e amar o povo.

Não, não era o professor distraído e trapalhão com um cabelo em forma de interrogação que definia o seu personagem mais famoso – o Professor Nimbus. Era antes um aristocrata do desenho, com uma cultura geral muito intensa e bem fundada por largo estudo.

O historiador de BD Jean-Claude Faur, coloca Daix numa linha de grandes desenhadores "muito comprometidos à direita", como Saint-Ogan, Sennep ou Hergé.

Morre em 27 de Dezembro de 1976, com pouco mais de 70 anos.

terça-feira, novembro 27, 2007

Notícias da "Praça Vermelha"

Já várias vezes vos disse que sou um bocado lerdo intelectualmente. Não consigo perceber as coisas. O defeito é (com certeza) meu. Não pode ser de outro modo!

Se não, vejamos. Em tempos não muito distantes (2002) houve um roubo de uma série de jóias da Coroa Portuguesa que foram para uma exposição na Holanda. Peças insubstituíveis e de grande valor artístico, histórico e, já agora, monetário. Património nacional e do melhor!


Bom a polícia investigou, investigou e nada descobriu. Vai daí o seguro pagou qualquer coisa como um milhão e duzentos mil contos ao Estado Português. Logo os locatários do Palácio da Ajuda declararam que essa massa toda era para adquirir novo património artístico. Se adquiriam não sei, a verdade é que nada de relevante se viu.

Bom. Agora aparece um quadro de Tiepolo à venda por 250.000 contos. Bem, pensei eu (que sou lerdo) com o milhão e tal de contos compra-se este quadro e ainda sobra muita massa.


Mas qual quê. Vem o bom o Director e diz: não temos verba. Vem a Ministra (amante da Praça Vermelha) e diz que vamos ver se se arranja o dinheirinho (de um mecenas...).

Ou seja, cabe-me perguntar. "Cadê" o milhãozinho de contos?. Já foi à vida? E como? Será que foi daí que veio parte da verba (dois milhões de contos) da exposição de material (menor) do Hermitage?

Claro que não, eles eram lá capazes disso. Eles esqueceram-se era que tinham aquela pipa de massa toda...

segunda-feira, novembro 26, 2007

Isto vai dar tarecada

No passado Sábado Vasco Pulido Valente deu cabo do novo livro publicado pelo Tareco Júnior (vulgo Miguel Sousa Tavares), que ao contrário do progenitor não tem um décimo da cultura (e do valor) paternal. Tem é o mesmo mau feitio. Aguardo (em jubilosa esperança) a resposta do Miau filho a VPV. Vai ser feio, se bem conheço o indivíduo. Muita roupa suja, porque culturalmente ele nem se atreve.

Apostilha: Cada qual tem o talento que pode e não o que quer... E vender livros não é uma profissão desonrosa. Vejam o Saramago.

Bos primigenius


Os cientistas recriaram o Auroque (Bos primigenius) antepassado do nosso gado vacum, cruzando laboratorialmente todos os tipos de raças bovinas existentes.

Recorde-se que o Auroque foi extinto no século 17, sendo a principal fonte de proteínas animais desde a maior antiguidade até a meados do século 12.

Só uma dúvida: se cruzarmos todas as raças humanas existentes na face da Terra conseguiremos recriar o austraulopitecos ou o cro-magnon?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Porque é que te calas?

Ao contrário do juanito eu peço é que ele não se cale.

Esperemos que seja só uma licença sabática de curta/média duração.

Foi por ele (e também por outros) que eu me meti nesta aventura. Aliás estes últimos tempos também tem sido muito duros para mim. Compreendo que o Bruno tenha família e que precise dos pouquíssimos minutos disponíveis para ela e para a sua Vida. Mas esperemos que seja por pouco tempo, como qualquer licença sabática que se preze.

Aguardemos e obrigado por ir reconsiderar (estou certo)!

quinta-feira, novembro 22, 2007

Hoje é dia de Santa Cecília



Padroeira dos Músicos e dos Cantores

Obrigado a todos os que fazem da Música uma forma de vida e nos ajudam a viver neste mundo em decomposição

A face dos "berloqueanos"



Isto de estar a governar-se na edilidade é bom para as acessorias...

Isto e 100% de camaradagem e 100% de Homens Verdadeiros



Mesmo para aqueles que são contra a tradição das touradas meditem um pouco naquilo que viram.

É o espírito gregário (o transpersonalismo que nos é recordado constantemente pelo Professor Brito) face aos individualismos e egoísmos da nossa época.

Isto é o verdadeiro Portugal de que me orgulho de ser filho!

Na morte de Ian Smith


Na morte de Ian Smith, antigo Primeiro Ministro da Rodésia (actual Zimbabué), quero homenagear o patriota africano que tanto ajudou os portugueses nos idos de 75 em Moçambique. Erros, teve-os, claro. Mas a sua determinação e vontade foram vitais para a luta que Portugal travou em África contra as grandes potências.

Honra à sua memória

segunda-feira, novembro 19, 2007

José Moreira



No passado dia 11 de Novembro a Biblioteca Pública de Braga promoveu, no Salão Medieval da Universidade do Minho, a apresentação do livro “José Moreira visto por si próprio e por quem o conheceu”.

A obra (que recomendo vivamente) reúne testemunhos de 29 amigos de José Moreira.

Declaração de Princípios

Declaro sobre minha Palavra de Honra que vou continuar a escrever neste local (e em todos os outros) em Português e não em "Acordês".

Sempre ouvi dizer que burro velho não aprende línguas. E eu como burro velho (que sou) vou continuar (até à morte) a escrever em Português!

Estes prolegómenos têm tudo a ver com a decisão do "nosso ministro dos estrangeiros" que declarou (num intervalo para o café...) que a assembleia da república vai ratificar (ainda este ano de 2007) o "acordo ortográfico" que nos foi imposto pelo Brasil. E que portanto vai vigorar já em 2008.

E o silêncio é total e ensurdecedor!!!!

Ai Fernando Pessoa como nos fazes falta. Com que então a nossa língua é a nossa Pátria!!!

quinta-feira, novembro 15, 2007

Para o que lhes interessa sim ...

Longa vai a polémica em torno da decisão governamental de considerar as carreiras dos Juízes como carreiras da função pública.

Que não, não somos funcionários públicos! - bradam os detentores do poder judicial

Mas eu que sou duro de ouvido (e pouco lesto no pensamento) continuo sem perceber.

Então quando é para receber as benesses do direito do trabalho de dependentes (férias, serviços sociais, subsídios de férias, direito à greve e à negociação colectiva, etc) aí estão de acordo. Mas para o resto não.

Expliquem-me, por favor, como se eu fosse uma loira (muito loura), porque assim não percebo...

Obrigado António Vilarigues

António Vilarigues, destacado militante do Partido Comunista resolveu relembrar (no “Público”) - e para gozar com o personagem - um livro importante (e presentear-nos com uns excertos do trabalho) de Vital Moreira: “O Renovamento de Marx”, publicado em 1979, pela Centelha.

Foi um dos livros que tive pena que me tivesse desaparecido no roubo da minha casa. Comprei-o, lembro-me perfeitamente, porque Rodrigo Emílio me disse ser uma das melhores criticas a Herbert Marcuse e à sua “releitura” do marxismo.

Aproveitei - então - muito do pensamento do “avô cantigas” para uma polémica que na época travava com um jovem esquerdista da nossa praça sobre as teorias marcusianas que então grassavam nos ambientes da extrema-esquerda lisboeta.

Quando o citei (e em longas tiradas) o meu interlocutor replicou com pobres argumentos filosóficos, mas abundantes ataques ao personagem autor das linhas. Disse então (princípios dos anos 80) que Vital Moreira tinha todas as características de um “burguês” que cedo ou tarde faria uma errada “opção de classe”. Verificou-se que tinha razão!

Já agora: o “outro”, o “puro marxista” hoje é do PSD (pouco destacado, é certo). Coisas da vida...

Os esquecimentos dele

João Soares resolveu voltar à ribalta com uns comentários sobre a guerra Chavez – Juan Carlos. Tomou partido pelo favorito do pai, claro (e se calhar com razão...).

Mas esqueceu-se dos pinotes que deu quando uns cafres chamaram uns bons duns nomes ao papá.

Ou seja insultar o papá – não. Insultar o Aznar, sim.

Apostilha: Chamar “fascista” ao Aznar é o maior insulto que podem fazer a um Fascista!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Adenda ao postal anterior


Quando a crise passar vou ter um bebedouro destes no meu gabinete. Ai vou, vou. Bem o mereço

Breve explicação

Nos últimos tempos não se tem verificado - no que me diz respeito - a periodicidade de postais a que os meus estimados leitores estariam já habituados.
Também os conteúdos não tem tido o mesmo interesse. Enfim, o que posso dizer - em tom futebolístico - é que não estou em baixo de forma.
É apenas um intenso labor profissional que está a exigir uma permanente disponibilidade fisica e sobretudo mental. Tempos há que temos de dar tudo, "esfarrapar a camisola". Pois é assim a vida profissional - em termos de entidades privadas - e só esperemos que dure pouco esta mini crise (e tudo aponta para que sim).

sexta-feira, novembro 09, 2007

A hipocrisia?

Receita:
Peguemos num esquerdista "antifa". Juntemos-lhe um pouco de anti-racismo. Demolhemos em emulsão multicultural. Adicionemos bastante caviar.
Coloquemos a marinar nas televisões e nos restantes órgãos de comunicação.
Temos pois aqui um prato excepcional que vai dar muita, mas mesmo muita, massa ao bom do nosso esquerdista. Temos a Arca de Zoé!
Agora a sério.
É difícil encontrar palavras para descrever o maquiavelismo, a preversão de pensamento, o desfasamento de um ideal humanitário. Kouchner no seu melhor. A evidência do "mercantilismo das ONG", grupos de pressão e formas rápidas de enriquecimento.
Um homem quer raptar crianças negras saudáveis, com família, com terra, com cultura, com futuro, para quê? Para as salvar de viverem na sua África, para os salvar de serem quem são. Porque na Europa viveriam melhor (com mais euros, digo eu...).
É o desejo de uma "michaeljacksonização" à escala de um País, ou de um Continente.
Não estamos longe do tráfego negreiro. E desta vez em nome dos "valores esquerdistas desta sociedade".
Se não se tratasse de crianças até dava para rir, mas assim...

quinta-feira, novembro 08, 2007

O FIM, de António Patrício

No meio de tanto esterco que todos os dias enche as livrarias deste país, por vezes, encontram-se preciosidades.

Este postal vem a propósito de um livro que adquiri em Agosto/Setembro e que só agora, no meio de uma (mais uma) insónia me foi dado a ler.

Trata-se da reedição (pela Assírio e Alvim) de obras do dramaturgo António Patrício (1878/1930). Neste caso concreto uma sua peça escrita em 1909 e só estreada em 1971 – O Fim.

O enredo trata da tragédia de uma Rainha (D. Maria Pia, mãe de D. Carlos I e avó de D. Luís Filipe) enlouquecida pelo sofrimento e que depois do Regicídio vagueia pelo Palácio rodeada apenas por dois aristocratas (os únicos que se mantêm fieis). É evidente a alegoria do fim da Monarquia e do fim da Nação. No segundo acto há a “invasão de Lisboa por uma esquadra estrangeira” (configurada pela maçonaria ou pelo Ultimatum – é o mesmo). Mas eis que surge o “Desconhecido” que aparece no Palácio em chamas e que concita o povo a lutar para evitar o “suicídio colectivo” e contrapõe “aos últimos dias de um povo” o heroísmo desse povo levantado em armas contra o invasor. Ao toque insistente dos sinos, a “Raça” desperta numa vitória conseguida sobre os escombros.

Trata-se de uma alegoria do “fim da Monarquia” (estamos em 1909) mas podemos pensar que tem também o sentido apocalíptico de um luto perpétuo de uma Nação sempre ameaçada pela possibilidade de extinção. Adepto de Nietzsche, Patrício dá-nos a ideia do crepúsculo dos ídolos e dos deuses.

É uma peça sobre o fim histórico de Portugal, ocorrido há mais de trinta anos. Tem uma actualidade absoluta.

Já estou farto de tanto debate (ou, qualquer dia, quem lhes bate sou eu...)

«Oiço e leio esta inflação de discursos que toldam a atmosfera política do país e fico agoniado. Somos na verdade uma cambada de primários, de temperamento e paixões à medida da nossa testa».

Miguel Torga
In Diário XII, 14 de Outubro de 1974

A “exemplar”, ou, “eles” agora fazem “passeios” na Baixa...

«Os cravos do 25 de Abril fanaram-se sobre um monte de esterco…Os militares portugueses fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e os africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir»

António José Saraiva
In Diário de Notícias de 26/1/1979

quarta-feira, novembro 07, 2007

P'raí dois milhões e picos

Depois do 25 do 4 lembro-me do chinfrim que foi a revelação que os malandros da pide tinham uma central de escuta na sua sede em que (calculem) podiam escutar cinco (sim, cinco) telefones em simultâneo. Fascistas que escutavam as conversas dos outros. Cuscas, etc.

Bem, mas entretanto chegou a liberdade. Viva, viva!! Agora já não há nada dessas coisas (malfeitorias que a pide fazia – escutas, leitura de correspondência, etc)

Mas olha para o que eu digo e não para o que eu faço!

As escutas “deles” eram más. As “nossas” são boas.

O frenesim começou com o PGR a dizer que desconhecia o número de escutas e muitas mais coisas enfrenesiantes. Foi à AR, foi lá o ministro também. Toda a gente botou faladura.

Agora saiu um número oficial da PJ. Nos últimos anos foram escutados 52.000 telefones. Todos respiraram de alivio. Isso dá para aí dez mil telefones escutados por ano. Coisa pouca. E todos se calaram.

Eu (que tenho mau feitio) fiquei a matutar no número e vai daí fui fazer umas contitas. Ora vamos lá a ver: eu telefono periodicamente (por motivos pessoais a cerca de 40 pessoas . familiares, amigos, vizinhos, diversos – e a cerca de 120 pessoas diferentes por motivos profissionais). Ou seja se o meu telefone estiver sobre escuta durante um mês (além de mim) são escutados umas 160 pessoas, que não tem culpa das minhas eventuais malfeitorias. Bem, pode ser que eu seja um caso isolado ou pouco provável. Vamos à minha mulher. Também ela telefona a umas oitenta pessoas diferentes por mês. Bem, aceitemos que também é uma excepção. Fiz este teste com mais umas pessoas amigas e colegas e cheguei a uma conclusão (nada científica, é claro) que nesta sociedade urbana a média de chamadas a pessoas diferentes – até chamar um táxi conta – é de cerca de 50.

Logo as tais 52.000 escutas feitas – legalmente na PJ – no tal período significam que cerca de 2.500.000 (dois milhões e meio) de pessoas foram escutadas neste período. Ou seja um quarto da população portuguesa foi escutada!!!!

Mais algumas reflexões sobre este caso. Alguma vez a Comissão de Mercados foi avisada de que havia escutas a decisores económicos com cotação bolsistas e que as informações obtidas através das escutas poderiam propiciar lucros a “jogadores de bolsa”? Penso que não, mas quem somos nós para desconfiar deles?

Outra pergunta. Há telefones de pessoas detentoras de segredos de estado que foram (e se calhar são) escutadas. Alguma vez os senhores que mandam lá no sítio se lembraram de pedir certificação de segurança para aceder a segredos de estado? (Recordo apenas que quer o PR, quer os Ministros dos Estrangeiros, Defesa, Primeiro Ministro, e até Chefias Militares podem ser escutados). E que as informações obtidas podem valer dinheiro no mercado da espionagem Penso que não. Isso são minudências. O que é preciso é escutar!

Apostilha: penso que dada a minha irrelevância (quer profissional quer pessoal) e a minha total indisponibilidade para militar (seja no que for) me permite ser imune às tais das escutas. Se o fizerem é só para perder tempo. Este postal tem a ver com um desafio que o Sr. Rogeiro fez na passada semana na revista Sábado. Ele queria saber se haveria melhor maneira para evitar e castigar os crimes do que a escuta telefónica. Pois aqui vai o meu contributo. Quem quiser perceber que perceba!

quinta-feira, novembro 01, 2007

Já desconfiava ...

Ou como eles se descaem ...

No passado dia 25 de Outubro, e durante uma cerimónia pública oficial, a Subsecretária de Estado encarregada de Diplomacia e Assuntos Públicos do Departamento de Estado dos EUA, Karen Hugues, declarou: "Mais de 130 participantes (nos nossos programas desde 1945) tornaram-se dirigentes dos seus países, incluindo o actual Primeiro Ministro Britânico (Gordon Brown), o Presidente da França (Sarkozy) e o Presidente da Turquia (Abdullah Gul)".

Se na biografia oficial do Sr Brown tal facto está espelhado, em relação aos outros dois é uma novidade absoluta. Com que então os EUA estão a formar os dirigentes mundiais? Porque será?

E eu que continuo um inocente acho que é só para o nosso bem ...

Fonte: aqui

Tema e Variações sobre um cartaz suiço...


O Tema




Variações

quarta-feira, outubro 31, 2007

Nunca saberemos tudo - 2

Apesar de na caixa de comentários já ter dado uma primeira resposta ao meu estimado anónimo sobre o caso Duprat não quero deixar de dar mais umas achegas.


Não acompanhei o caso na altura do atentado (1978, por me encontrar em Portugal e com muito poucos contactos internacionais). De conversas tidas com alguns visitantes nos anos posteriores tive as notícias que dei. No entanto convém ver o seguinte: a tecnologia usada parece-me não estar ao alcance de qualquer organização mais ao menos política ou mafiosa. Pode-se argumentar que muitos dos ex-OAS (nomeadamente os oriundos do Exército - 2ª repartição) dominavam essas e outras tecnologias. No entanto todos os atentados levados a cabo pelos ex-OAS ainda activos (nomeadamente em Espanha, França, Itália, etc.) não utilizaram essas tecnologias, mas sim outras bem mais simples. Porquê só naquele caso? Porquê uma bomba que só explodiu numa estrada secundária e sem trânsito em vez de no arranque do carro? Para fazer menos vítimas, sim sem dúvida. E vocês acham que se fosse uma organização terrorista de direita ou um mafioso do "bas fond" se iria preocupar com esse detalhe?


Não podemos excluir o facto muito importante de Duprat estar muito ligado aos palestinianos, sírios e até libaneses.


Mais do que o negacionismo foi talvez essa a causa principal da sua morte. A guerra do Líbano tinha acabado há muito pouco tempo. A Síria reforçava a sua posição como potência regional. A alguém ou a muitos interessava a sua morte. Como diziam os detectives dos livros policiais, a quem interessou o crime?


Confesso que é tudo o que sei. Foram-me ventilados (e eu, como é óbvio, já os esqueci) - confirmo - os nomes de algumas pessoas de uma determinada nacionalidade que tiveram de abandonar a França na altura.

Falei em Caignet porque também no caso dele se tentaram manobras de desinformação para despistar as investigações policiais e retirar a carga política ao crime.


É pois tudo o que sei. É pouco reconheço. Mas, às vezes, vale mais saber o menos possível. É um conselho que dou a todos.

terça-feira, outubro 30, 2007

Nunca saberemos tudo

Um estimado leitor concita-me a comentar a hipótese de François Duprat ter sido vítima de uma vingança interna de jogos de poder em vez de ter sido assassinado por um grupo judaico.
Vamos a ver. Nunca poderemos ter a certeza de tudo na vida. Às vezes nem tudo o que parece é. Lembro-me de ter assistido (com estes olhos e ouvidos) a uma maquinação relaccionada com a guerra de Moçambique e em que um personagem (um figurão, digo eu) queima ostensivamente o exército português e o General Kaulza para poder continuar com o seu maquiavélico plano de ser poder num Moçambique independente. Sobre isso um dia falarei.
Logo, não sendo eu adepto nem entusiasta das "teorias de conspiração" reconheço que elas por vezes existem.
Quanto a Duprat parece não haver dúvida sobre os assassinos. Foram identificados, soube-se o seu "modus operandi". Só não foram detidos e julgados porque (para além de muito pouca vontade de os punir) se escapuliram para um outro estado onde tinham automaticamente a nacionalidade adquirida.
O mesmo, aliás se passou com o atentado contra Michel Caignet. Os meios oficiais de comunicação bem como os do costume lançaram a hipótese de o seu desfiguramento com ácido se ter devido a razões de "costumes". Poderia ter sido se eles não tivessem cometido um erro. Para além de lhe desfazerem o rosto (devo dizer que o conheci - de vista - antes e - presencialmente - depois do atentado. As marcas são do mais horrível que se possa imaginar) também desfizeram com ácido a sua mão direita (para que não voltasse a escrever). Com esta acção sobre a mão (que escrevia e a cabeça que pensava) deitaram por terra todas as versões que espalharam para justificar o injustificável.
Logo e depois disto o que posso dizer é que ao longo destes anos já tenho assistido a tantas coisas (intrigas, bocas, etc) que nada me espanta. Mas quanto a Duprat "eles" não se enganaram. "Eles" sabiam muito bem quem matavam. O alvo não era Le Pen ou outro mediático. O alvo era o pensador, o animador e o organizador. Tudo me leva a crer que sim foram "eles" que o mataram. Se ajudados ou não, isso não tenho nem competência nem conhecimentos para o afirmar ou negar. Estas coisas são meras questões laterais.
Aliás devo dizer que - para além do passado em Portugal - também assisti a guerras de "desinformação" em Itália, Espanha e Bélgica. Sabem uma coisa. Nunca lhes liguei.

Lá vamos cantando e rindo...

Li hoje, sem espanto algum - diga-se de passagem -, que só no mês passado foram vendidos 70 mil milhões de US$ em títulos americanos. Os principais vendedores foram os chineses, japoneses e árabes. A este ritmo de tantos mil milhões por mês dentro de menos de uma ano a economia dos USA rebenta. Como os meus estimados leitores saberão o deficit americano é suportado pela emissão de papel moeda. Com há sempre comprador, nunca há problema... Vantagens de terem imposto ao mundo a mudança do escalão ouro pelo escalão dollar (só com a oposição de De Gaulle, Salazar e Paul Henry Spaak).
O perigo para todas as economias europeias é assustador. Poderemos cair em pior situação do que na crise de 1929. Acreditem que é verdade! E "nós" não estamos preparados!
Apostilha: Porque será que, desde que o Irão declarou querer receber o petróleo em euros em vez de dolares, as ameaças de acção militar não param de crescer. Quanto às armas atómicas, essa história já a conhecemos do Iraque. Inventem outra, sff.

O túmulo do gigante


É aqui que repousa o Gigante. As suas cinzas continuam a pairar sobre todos nós.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Degrelle visto por um americano ...

Jonathan Littell, o norte americano de origem judaica (a família saiu da Polónia para os EUA nos finais do século XIX) e que ganhou o "Goncourt 2006", vai publicar, na Gallimard, e dentro de dias um livro intitulado « Le Sec et l'Humide », (o seco e o molhado) no qual vai responder a críticas que lhe foram feitas a propósito do seu livro « Les Bienveillantes ». Esse livro (que não li - aguardo a tradução portuguesa da D. Quixote) trata do período da segunda grande guerra civil europeia (vulgo IIª Guerra Mundial).

Este novo livro vai tratar de vida de Leon Degrelle, em quem o autor (segundo as suas próprias palavras) se inspirou para escrever o referido romance.
Ora sendo o personagem do livro « Les Bienveillantes » um homossexual, incestuoso, assassino psicopata, não percebemos o que é que Leon Degrelle tem a ver com o assunto. No entanto garanto-vos que vou ler esse livro. Deve ser um "show de bola".
Ou seja eles tentam tudo (mas mesmo tudo) para diminuir Leon Degrelle. No entanto nunca o conseguirão. O Túmulo do Gigante em que estão espalhadas as suas cinzas continua a ser um dos principais destinos das peregrinações dos nacionalistas europeus. A tal ponto que as autoridades belgas ( a título dos interesses ecológicos...) quererem impedir que tal aconteça... A democracia é muito bonita, não é?

"Ganda nóia"

Desde ontem ou anteontem que só me falam de um filme que deu na TV em que um espanhol agride (num comboio) uma sul americana de forma gratuita.

Pensei logo: vai sobrar para a extrema direita. É canja.

E logo, logo o meu primeiro interlocutor afirmou peremptoriamente: Tinha o cabelo cortado (aí assustei-me, eu também uso cabelo curto), logo era um skin head. Elementar meu caro Watson, diriam os Sherlocks da nossa praça.

Mas vai-se a ver não era. Era apenas um desequilibrado mental, drogado, alcoólico. Enfim um rapaz normal desta civilização sub urbana e infra urbana que rodeia as grandes cidades desta Europa decadentista.

Mas olhem que o SOS racismo lá do sítio andou a investigar tudo para ver se encontrava pelo menos um amigo, vizinho ou colega que fosse "um filho da prima da empregada da loja,cuja avó tinha tido um caso com o tio-bisavô de algum fascista". Pois nada. Não conseguiram descobrir nada. Ficaram frustrados.

Mas uma reflexão impõe-se: porque raio é que as TV não mostram (com o mesmo ênfase) as imagens recolhidas pela nossa CP dos "mini-arrastões" diários nos comboios da linha de Sintra?

Porque não é politicamente correcta a cor e o cabelo dos intervenientes? Porque têm medo da filha (jornalista) do Major que dirigia os Serviços Secretos da Legião Portuguesa?

Não deve ser nada disso. Deve ser apenas porque não é notícia importante, digo eu, que (com esta idade) ainda sou muito inocente...

terça-feira, outubro 23, 2007

Não resisto a continuar a falar de Cinatti


Ainda Cinatti e a sua “doença”: “Afundou-se na paixão incurável de uma cultura exótica e fascinante, e ao mesmo tempo portuguesa” :

“Os timorenses comportam-se como heróis camilianos. Serenos e precisos nas suas determinações, por vezes espectacularmente barrocas ... os seus gestos passam, ante os nossos olhos, como o desenrolar de uma Novela do Minho

O “Cravo Singular” e o “Timor – Amor”

Rui Cinatti deu-nos, depois do 25 do 4, dois dos seus melhores livros – os do título deste postal.

O Cravo Singular (livro precioso) foi um dos “desaparecidos” da minha biblioteca. Do Timor – Amor, deixo-vos este poema de 30 de Junho de 1974 (ainda com o “pindérico do pingalim” no poder, e apenas 3 dias após o discurso de 27 de Junho em que ele reconhecia a inevitabilidade da descolonização):

Hei-de chorar
as praias mansas de Tibar e Díli,
as manhãs, mesas de bruma, de Lautém,
os horizontes transmarinhos de Dáre,
as planícies agrícolas
de Same e Suai.

Ao Tat-Mai-Lau
O Avô dos Montes,
hei-de subir
- e descer à châ verdade que todos
negoceiam,
a verdade – minto! – que já tardam
os que por Timor não esqueceram,
pecando por atraso,
malícia, tibieza,
Timor e Timorenses isolados!

“Aqueles que me amam...

... conhecem o mistério que torna a minha voz inesquecível”.

Assim falava Ruy Cinatti. Poeta, etnólogo, antropólogo, e acima de tudo o Homem que amava o Timor Português. A Cinemateca está repleta de testemunhos por ele filmados e fotografados ao longo de anos e anos de dedicação à sua terra de adopção.

Dia 13 deste mês completaram-se 21 anos do seu passamento. Cumpriu-se o seu vaticínio “hei-de morrer como um rato na sarjeta”. Esquecido dos amigos, antagonizado com os intelectuais que tanto o adularam - para o “obrigar” a ir para o campo “anti-salazarista” (nunca conseguiram) – e a quem nunca perdoou o seu alinhamento ideológico com a “exemplar” descolonização.

Cinatti arrastou os seus últimos anos – e o seu cancro - só (não tinha família) e abandonado por todos, visto as suas ideias politicas serem cada vez mais “politicamente incorrectas” e por o declararem “louco” (logo ele que assumia que “tenho uma doença chamada Timor”). Tive o privilégio de poder ter lido uma sua carta a Rodrigo Emílio. Era pungente. Era o reconhecimento de que tudo o que ele tinha sentido e passado ao longo de toda uma vida tinha sido despedaçado em nome dos interesses das grandes potências, a que os “abrilistas se tinham submetido”.

Quem não se recorda do seu périplo por toda a Lisboa tentando impedir o impossível (o abandono de Timor). È dessa data o seu livro de poemas “Timor – Amor” (em edição de autor, visto ninguém o ter querido publicar). O autor da maior colectânea da Poesia tradicional timorense “Um cancioneiro para Timor” nunca se rendeu e lutou até ao fim. Quando ninguém assumia a defesa de Timor (uns por vergonha, outros por motivos ideológicos, outros ainda porque não valia a pena) lá estava ele. As vezes que o vi no Jamor e, no comício de Múrias no Pavilhão dos Desportos e em que os espoliados do Jamor – Timor, se exibiram (para a todos lembrarem o sacrifício das suas gentes), estarão sempre presentes na minha memoria.

Ninguém falou dele nos últimos anos. Nem nos 20 anos da sua morte. E eu, que tanto o admirava também me ia esquecendo (das datas, nunca da sua vida e obra). Ainda vou a tempo, é o que me vale.

21 anos depois da sua morte, em “que se viu livre da sua tarecada” (o seu corpo e os seus bens) e regressado que foi à terra, quero apenas saudar e relembrar este grande português que nos enobreceu pelo amor imenso ao seu Portugal (de Minho a Timor).

O “camisa vermelha” deste país ... ou o émulo de Hugo Chavez

O senhor ministro da saúde resolveu mostrar urbi et orbi que é muito progressista. Vai daí lançou o “diktat”: Ou a Ordem dos Médicos muda o seu Código Deontológico, ou ele obriga-os a mudar.

Garanto-vos que parecia que estava a ouvir o Chavez (o grande amigo do Soares) lá na Venezuela dirigindo-se aos emigrantes portugueses... Para isso baseou-se num parecer, que “parece” ter sido emitido lá na PGR do nosso contentamento.

Das duas, uma. Ou são completamente ignorantes face ao direito ou estão com confusões ideológicas na cabeça. O Código Deontológico da Ordem dos Médicos não é, desde há mais de 20 anos, nenhum diploma legal. Avisadamente os clínicos resolveram não sujeitar o seu código ético a meras conjunturas politico - partidárias, e limitaram-no a um conjunto de orientações éticas, sem força de lei ou sem força disciplinar. Inteligentes, pelo que vemos.

Mas a PGR e os demais progressistas deste país estão danados com uma coisa. Na tal Orientação Ética está a condenação da violação da vida desde a sua concepção. Ora aqui é que a porca torce o rabo. Então “eles” não aprovaram a lei dos abortos. E como é? Os médicos dizem que é errado e “eles” dizem que é certo?. Apaga-se o incómodo dos “disparates dos médicos” (que sabem lá alguma coisa – “nós” é que sabemos!). Assim fica tudo bem!

Não sei qual a reacção que a Ordem vai ter. Se calhar nenhuma. Mas eu, se fosse responsável da Ordem, mandava-os dar uma “voltinha ao bilhar grande” e continuava a ser fiel às minhas ideias e não às ideias impostas por um partido politico. E “eles” que façam o que lhes der na “republicana” gana.

Mas “neste pais” já nada me espanta.

E viva a Revolução Bolivariana (não é senhor ministro)!

segunda-feira, outubro 22, 2007

O Tratado, ou o Tratante, ou lá o que é

Fiquei estarrecido. Não é que a D. Edite Estrela, socialista da nossa praça, veio declarar - alto e bom som (e sem sombra de vergonha) - que nenhum português pode estar contra o tratado, visto o mesmo ter o nome de Lisboa, o que nos vai engrandecer muito.

Eu já não consigo dizer mais nada. Juro, isto é demais. Não sei como se marca uma consulta de psiquiatria, mas isto, a continuar assim, obriga-me, pela certa, a ir parar ao divã!!!!

A culpa afinal foi da pide...

Contei-vos anteontem que tive um encontro com um velho Amigo e ex – camarada. São sempre conversas muito estimulantes. Vemo-nos duas, três vezes por ano, quando ele desce ao povoado lá dos “altos da serra de Bruxelas”.

Desta vez o tema foi (como não poderia deixar de ser) o da liberdade de expressão e de manifestação. Tudo a propósito de eu o ter concitado a ir à manifestação de Sábado (já que eu nesse dia estava a trabalhar) e expressar o seu repúdio por tudo o que tinha acontecido.

Lá lhe expliquei o que se tinha e estava a passar. Pouco sabia, para além do que tinha lido neste espaço.

Mas ele bem me dizia: são “fascistas” o que é que queres? Aliás, a culpa é da pide que estragou a vida ao pai da senhora. E ela agora vinga-se...

Fiquei siderado com a resposta. Lembrei-lhe a fábula do lobo e da ovelha. Mas ele insistia. E que também a Justiça não é vingança (como qualquer licenciado em direito – mesmo da Independente – teria aprendido lá nos bancos das faculdades por onde andou a queimar as pestanas). Não desarmou e disse-me, por fim, para eu não me preocupar, visto que nem conhecia os tipos que estavam “dentro”.

Aí, passei-me.

Referi-lhe os dois casos que mais me chocaram nesta história: a apreensão dos livros (sobre a qual já me pronunciei bastante) e mais ainda o facto da ameaça de mandar varrer os nacionalistas da rua (presumivelmente feita pela referida senhora). E ele continuou a achar bem. A pide fazia o mesmo, referiu.

Lembrei-lhe o facto de – presumivelmente – já não estarmos no mesmo período. Relembrei-lhe também o facto de haver uma constituição. E que para já – e enquanto o tratado (ou tratante ou lá o que é) não entrar em vigor – a lei constitucional prima sobre todas as leis que se façam neste país. E relembrei-lhe que estava expressa no referido documento a possibilidade de “haver ajuntamentos de mais de duas pessoas”.

Mas ele é que continuou a não desarmar. Voltava sempre ao mesmo: a culpa era da pide.

Pronto ficámos assim. Ele na dele e eu na minha. Mas quando voltei para casa fui ler a tal da constituição. E lá estava (... têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização...)

Ou seja, para além do facto de não se poder trazer armas e se ser pacífico, nenhuma limitação é feita ao acto de as pessoas se poderem reunir. Agora expliquem-me lá uma coisa – pois eu não sou jurista: será que os procuradores não tem de cumprir a Lei? E não podem ser responsabilizados por a incumprirem? Então a ameaça de chamar a policia de choque para “varrer” aquela gente não é um ilícito?

A ser verdade que a referida senhora disse o que foi referido, não estaremos nós perante uma ameaça séria e grave a um estado de direito? Ou será que é só o senhor Machado que está a colocar em causa o tal estado? Ou afinal a culpa é mesmo da pide?

Estarão eles mesmo diferentes?

Há poucos dias insurgi-me pelo facto de os jornais terem omitido quase por completo as notícias da morte de João Coito. Por essa mesma data morreu, também, a destacada comunista Julieta Gandra, que para a além da sua militância no PCP foi militante do MPLA, de quem aliás recebia uma pensão.

No mundo nacionalista, e apesar de um certo distanciamento em relação a João Coito, fruto da sua marcelice aguda, ninguém omitiu o seu passamento. Foi mesmo objecto de muitos e variados louvores pelo seu Patriotismo, pelo culto da Língua Portuguesa e outra suas qualidades.

Mas no mundo da nossa esquerda catita (e mais ligada ao PC) a morte de Julieta Gandra passou muito despercebida.

E porquê, perguntarão os meus estimados leitores. Por uma simples razão. Julieta Gandra, para além de uma militância feroz no PC, MPLA e PRP/BR (pelo menos) teve o desplante de assumir uma relação homossexual com outra camarada PC (Fernanda Paiva Tomás) que conheceu na cadeia de Caxias, e enquanto as duas estavam presas. É claro que foram as duas expulsas do PC.

Sim, porque o PCP sempre teve uma relação muito má com a homossexualidade e com “conversões de Fé”. Basta relembrar o ex- secretário geral Júlio Fogaça, afastado porque “gostava muito de marinheiros”, e mesmo o pai de José Miguel Júdice, expulso pela sua conversão ao Catolicismo.

Hoje, contudo, defendem os homossexuais, os comunistas católicos, etc.

Mas será um “aggiornamento” real ou será mesmo cosmética?

Este caso da Gandra leva-nos à conclusão que se calhar é mais para inglês ver. Não nos esqueçamos que Cunhal imprimiu ao PC uma matriz fortemente conservadora. E que a maioria dos seus militantes têm características também elas muito tradicionais.

Aliás este tradicionalismo do eleitorado comunista é um dos temas que hei-de tratar nas minhas “reflexões” (que juro mesmo) quero levar a efeito em próximos postais. Aliás, François Duprat (enquanto Secretário Geral da FN francesa) identificou-o e explorou-o a bem do seu partido.

domingo, outubro 21, 2007

Porreiro pá ...

Temos tratado.

Estamos tão felizeeeeessss !

Apostilha: Este postal é dedicado a um eurófilo, federastra, lojista, Ps, funcionário em Bruxelas, que já foi nosso e que hoje é deles. Apesar de tudo quiz continuar meu Amigo (e não pesando o facto da "porrada" política que lhe dou amiudadamente - "terapêutica tradicional", como lhe chamava o nosso grande Manuel Maria Múrias).

Não, não é a fotografia dele. Coloquei esta só para o chatear. Então não é que o tipo ontem me dizia que assim, com tratado - ou tratante ou lá o que é - se podem controlar melhor os "pretos". (não sei como, mas ele lá deve ter mais informações do que eu!).

No nosso tempo não eras racista. Hoje é o que se vê! Mas olha que se lá na loja descobrem, lá se vão todas as mordomias que tens conquistado ao longo destes mais de trinta anos...