terça-feira, outubro 30, 2007

Nunca saberemos tudo

Um estimado leitor concita-me a comentar a hipótese de François Duprat ter sido vítima de uma vingança interna de jogos de poder em vez de ter sido assassinado por um grupo judaico.
Vamos a ver. Nunca poderemos ter a certeza de tudo na vida. Às vezes nem tudo o que parece é. Lembro-me de ter assistido (com estes olhos e ouvidos) a uma maquinação relaccionada com a guerra de Moçambique e em que um personagem (um figurão, digo eu) queima ostensivamente o exército português e o General Kaulza para poder continuar com o seu maquiavélico plano de ser poder num Moçambique independente. Sobre isso um dia falarei.
Logo, não sendo eu adepto nem entusiasta das "teorias de conspiração" reconheço que elas por vezes existem.
Quanto a Duprat parece não haver dúvida sobre os assassinos. Foram identificados, soube-se o seu "modus operandi". Só não foram detidos e julgados porque (para além de muito pouca vontade de os punir) se escapuliram para um outro estado onde tinham automaticamente a nacionalidade adquirida.
O mesmo, aliás se passou com o atentado contra Michel Caignet. Os meios oficiais de comunicação bem como os do costume lançaram a hipótese de o seu desfiguramento com ácido se ter devido a razões de "costumes". Poderia ter sido se eles não tivessem cometido um erro. Para além de lhe desfazerem o rosto (devo dizer que o conheci - de vista - antes e - presencialmente - depois do atentado. As marcas são do mais horrível que se possa imaginar) também desfizeram com ácido a sua mão direita (para que não voltasse a escrever). Com esta acção sobre a mão (que escrevia e a cabeça que pensava) deitaram por terra todas as versões que espalharam para justificar o injustificável.
Logo e depois disto o que posso dizer é que ao longo destes anos já tenho assistido a tantas coisas (intrigas, bocas, etc) que nada me espanta. Mas quanto a Duprat "eles" não se enganaram. "Eles" sabiam muito bem quem matavam. O alvo não era Le Pen ou outro mediático. O alvo era o pensador, o animador e o organizador. Tudo me leva a crer que sim foram "eles" que o mataram. Se ajudados ou não, isso não tenho nem competência nem conhecimentos para o afirmar ou negar. Estas coisas são meras questões laterais.
Aliás devo dizer que - para além do passado em Portugal - também assisti a guerras de "desinformação" em Itália, Espanha e Bélgica. Sabem uma coisa. Nunca lhes liguei.

3 comentários:

Anónimo disse...

JC
esperava outro tipo de comentário suscitado pelo nome do Albertini que julgo ter tido ligação à Aginter press.

Penso que existe alguma confusão da sua parte entre a morte do FD e o atentado ao MCaignet na sequência de outro atentado, o da rua Copernic.

No caso do FD nunca se chegou a nenhuma conclusão ou identificação fidedigna dos responsáveis e até o modus operandi não foi identificado. Não se sabe como e quano foi colocado o explosivo nem como foi accionado. A pista judaica/mossad foi logo abandonada assim como outras, até pela investigação paralela da FN. Na altura Le Pen estava convencido que tinha sido obra da extrema-esquerda mas actualmente também julga que foi um ajuste de contas interno. Consta que Albertini, iminência parda dos financiamentos da direita, andava muito preocupado com o livro que FD estava a escrever sobre «o dinheiro e a política».

Parece que este caso será mais um em que nunca saberemos o que aconteceu.

Anónimo disse...

Já agora, encontrei o video do telejornal desse dia (http://www.dailymotion.com/video/x39mam_francois-duprat-ina_politics) e um ficheiro audio muito interessante que não sei onde foi emitido
(http://www.dailymotion.com/video/x39tf0_sanstitre0004_politics)

José Carlos disse...

Mantenho o que disse. Estou bastante convicto que quem colocou o explosivo (bomba lapa, com osciloscópio) tinha que ter um fornecedor de confiança. Só serviços oficiais - ou forças armadas - dispunham de tal tecnologia. No entanto, tudo é possível. Devo dizer que as informações que tenho tem origem em camaradas europeus. Não conheço os detalhes mas na altura foram publicados nomes e houve pessoas que adquiriram rapidamente a nacionalidade de outro país. A ser obra de outrem, de certeza a polícia francesa tudo faria para os implicar, o que não aconteceu. No entanto posso ter sido enganado nas informações que entretanto recebi.
Nota: desconheço ligações de Albertini à Aginter Press. Mas eu também não sei ou soube tudo. Aliás tentava saber o menos possível de certas situações!