sexta-feira, setembro 07, 2007

Mas como é que se chegou aqui!


No seguimento do postal sobre o "Unidade" convém explicar mais algumas coisas.

O grupo que então se estava a consolidar dispunha de muitos elementos de diversas etnias, com um objectivo comum. Continuarem portugueses.

Vários jovens de diversas origens em que se destacaram os filhos Mesquitela e os filhos Cardiga, auxiliados por diversos elementos mais "musculosos" da OPVDC (Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil - uma espécie de defesa civil semi militarizada) e por não poucos camaradas já bem batidos nas lutas contra os comunas na Metrópole estavam já em confronto com os estudantes pró-comunistas da Universidade. Isto antes do 25.

Com o 25 toda a organização foi reforçada e continuou-se com o recrutamento. Ocorreram alguns choques - verbais e físicos - com os "brancos progressistas e maçónicos". E lentamente começou-se a pensar a sério em diversas actividades.

Como disse o nosso Luís Fernandes estava em Moçambique. A sua força e prestígio eram muito grandes. Também se passou a contar com o apoio e colaboração de Daniel Roxo (herói mítico do Niassa) e a quem Rodrigo Emílio dedicou um dos seus mais belos poemas (na data da sua morte provocada por uma mina na faixa de Caprivi), apelidando-o, muito acertadamente de "Viriato do Niassa".

Ora o nosso Luís cometeu um "erro" (eu por um lado considero que sim, por outro acho que o que ele fez foi muito bem, porque demonstrou uma coragem ímpar). Esse "erro" custou-lhe alguns dissabores, mas também lhe outorgou muito prestígio.

E que "erro" foi esse?

No dia 24 de Abril o nosso Luís embarcou ao fim da noite para Moçambique. Tinha estado na Metrópole em férias. Umas horas antes de partir pode avisar as hierarquias militares que o "golpe" seria nessa noite. Muito admirado ficou quando chegou ao verificar que nada tinha sido feito e que eles tinham "provisoriamente" ganho. Logo escreveu uma carta ao Expresso (publicada nos primeiros dias de Maio) em que declarava continuar com as mesmas ideias e ideais e que iria agir em conformidade. Foi a bronca das broncas. Alguém que afirmava num jornal que iria agir em conformidade com as suas ideias foi uma pedrada nos "abrilinos".

Bom, isto só para dizer que o Luís já não tinha comando de tropas no dia 7 de Setembro.

E falo disto tudo porque continuo a aguardar as esperadíssimas memórias do Luís que o Rodrigo insistiu (na última conversa que com ele tive) que fossem rapidamente publicadas. Quando elas surgirem muitas coisas verão a luz do dia pela primeira vez!

3 comentários:

pedro guedes disse...

As memórías do Luís Fernandes, isso é que era...! Será possível?

José Carlos disse...

Se será possível ou não, o tempo dirá. Mas que eu lhe tenho dado cabo da cabeça com isso, lá isso é verdade. Há já muita coisa escrita, e eu também me lembro de bastantes coisas que o podem ajudar nalgumas dúvidas. Mas antes deve sair o livro do italiano de que já falei. Nessa altura muita coisa virá ao de cima. Até porque quer o Luís quer eu (em menor escala, é claro) demos uma ajudinha sobre algumas coisas. Estou convencido que após a publicação da tese do italiano o Luís é capaz de se emtusiasmar. Veremos.

panzerfaust disse...

Caro JC
não encontro nenhuma alusão ao livro do italiano no seu blogue. Pode explicar o que é?
Abraço